Grandes empresas formam executivos da primeira linha

Em empresas como Ambev, Weg e Marcopolo, encontrar executivos do primeiro time que foram formados pelas próprias companhias é comum. Em geral, trata-se de pessoas com vários anos de casa, que mudaram de função diversas vezes e que receberam muito treinamento não apenas técnico, mas também gerencial.

Veja o caso de Antonio Cesar da Silva, diretor de vendas de motores da catarinense Weg. Formado em administração de empresas, Antonio entrou na companhia há 28 anos. Nesse período, trabalhou na área de custos, na tesouraria e foi gerente financeiro até assumir o comando da filial de vendas em Belo Horizonte. De volta à sede, assumiu a gerência de vendas e marketing e no final de 2004 tornou-se diretor. “As transições foram tranqüilas, porque antes de assumir cada cargo eu era preparado”, diz ele. Como? Além de cursos no Brasil, como inglês e um MBA oferecido pela empresa, ele chegou a estudar no Canadá e nos Estados Unidos. Tudo bancado pela Weg.

Mas Silva acredita que um outro fator foi fundamental na sua preparação: “A Weg é uma empresa marcada por uma administração muito participativa.” Em outras palavras, os funcionários podem opinar e interferir no negócio e desde cedo aprendem a assumir riscos.

Na Ambev, os funcionários também são estimulados a pensar na empresa como se fossem donos dela. Literalmente. Mais de 90% dos gerentes e diretores da empresa têm ações da companhia. “É uma das formas de atrair e reter as melhores pessoas”, afirma Ricardo Wuerkert, diretor de gente e gestão da Ambev.

A carreira de Wueckert, aliás, é um bom exemplo de como as companhia desenvolve seus potenciais líderes. Aos 41 anos de idade, 14 deles passados na Ambev, Wueckert trabalhou em diversas áreas: marketing, vendas, internacional e recursos humanos. Ele mudou não só de setor, mas também de país. Em duas ocasiões foi transferido para a Argentina. “Essa temporada na Argentina, na época uma nova operação da Brahma, foi fundamental para que eu aprendesse a formar times e desenvolver pessoas”, diz ele. “Uma habilidade vital para o novo cargo que assumi depois.”