Google desafia Amazon com entregas em menos de um dia

O Google está ganhando território no mercado de entregas no mesmo dia, intensificando concorrência com Amazon e eBay, na temporada de compras do fim do ano

São Francisco – O Google Inc. está ganhando território no mercado de entregas de encomendas no mesmo dia, intensificando a concorrência com a Amazon.com Inc., a eBay Inc. e uma multidão de startups durante a agitada temporada de compras do fim do ano.

O serviço, chamado Google Express e disponível nas grandes cidades dos EUA, processou 50 por cento mais brinquedos nas duas semanas seguintes ao feriado do Dia de Ação de Graças, o pico da temporada de compras do fim do ano. As vendas de livros aumentaram mais de 30 por cento, segundo o Google.

“O serviço me poupou de ter que me encarregar por conta própria”, disse Aimee LaFont Leifer, moradora de São Francisco que utilizou o Google Express para pedir presentes, entre eles um set de tijolos Lego, para um evento de caridade neste mês. “Foi bom poder continuar trabalhando”.

À medida que cada vez mais pessoas compram pela internet e desde seus dispositivos móveis, elas estão contornando o Google e indo direto para a Amazon e outras varejistas para acharem produtos, roubando ao Google uma oportunidade de ganhar dinheiro mostrando anúncios junto aos resultados das buscas. A proporção de compradores que utilizou a Amazon para iniciar suas buscas de aquisições on-line dobrou entre 2009 e o terceiro trimestre deste ano, chegando a 39 por cento, segundo a Forrester Research Inc.

“Cada vez mais consumidores estão comprando enquanto fazem outras coisas – eles têm mais opções”, disse Colin Sebastian, analista da Robert W. Baird Co., quem estima que entre 30 por cento e 40 por cento do negócio principal de buscas do Google – que responde por metade da receita anual da companhia, de US$ 60 bilhões – estejam atrelados ao comércio eletrônico. “O Google precisa defender seu território”.

Google Express

O Google Express, que estreou como uma função grátis de teste no ano passado, agora parece mais um empreendimento permanente. Três cidades novas – Chicago, Boston e Washington – foram adicionadas em outubro às áreas existentes: São Francisco/Norte da Califórnia, Nova York e Los Angeles. O Google também começou a cobrar aos compradores US$ 95 por ano ou US$ 10 por mês por envios ilimitados ou US$ 4,99 por pedido elegível. O envio de pedidos de mais de US$ 15 no mesmo dia ou do dia para a noite é grátis para os membros do serviço.

A Amazon cortejou os consumidores com milhões de produtos e seu serviço Prime, que oferece aos usuários entregas em dois dias e acesso a conteúdos digitais por US$ 99 anuais. A varejista web também expandiu seus serviços de entrega, entre eles o serviço de entrega de alimentos no mesmo dia em algumas cidades. Na semana passada, a Amazon começou a oferecer um serviço de entrega de encomendas em uma hora em Manhattan que abrange dezenas de milhares de bens domésticos. A Amazon disse que expandirá o serviço para mais cidades em 2015.

Como mais pessoas estão comprando desde suas casas, projeta-se que o mercado de entregas dos EUA se expanda 12 por cento para US$ 82 bilhões em 2016, segundo Satish Jindel, presidente da SJ Consulting Group Inc., uma empresa de pesquisa em Sewickley, Pensilvânia.

Mais rápido

Os consumidores também estão pedindo entregas mais rápidas, de acordo com Joshua Hubbard, consultor do setor na AlixPartners LLP. Só 35 por cento dos consumidores estão dispostos a esperar uma semana inteira por envios grátis, frente a 50 por cento dois anos atrás, descobriu uma pesquisa feita pela empresa neste ano.

A eBay também lançou um serviço de entrega que promete enviar mercadorias em até duas horas. Chamado eBay Now, o serviço começou a operar em várias cidades, entre elas Boston, Nova York e Los Angeles.

Startups também estão de olho em tempos rápidos de entrega. A Instacart Inc. permite aos consumidores pedir alimentos, que são apanhados e entregues por um comprador contratado pela empresa.

O Google tem a tecnologia para tornar mais eficientes as entregas, utilizando dados de mapeamento para ajudar a marcar aos motoristas as rotas da forma mais rápida possível, segundo Brian Elliott, gerente de desenvolvimento comercial da empresa.

“O que estamos fazendo com bastante sucesso é demonstrar aos varejistas que nós podemos ajudá-los a aumentarem as vendas a seus clientes já existentes”, disse Elliott.