Globalização já não assusta empresas sul-americanas

Lideranças empresariais da região destacam oportunidades de conquistar novos mercados com a internacionalização de seus negócios, mostra pesquisa

Antes vista como uma grande ameaça ao futuro das empresas sul-americanas, a globalização assusta cada vez menos as companhias locais. Em vez de um risco aos seus negócios, as lideranças empresariais da América do Sul enxergam crescentes oportunidades de conquistar novos clientes, ampliar e melhorar a oferta de serviços e reduzir custos. A conclusão é da 3ª Edição Sul-americana da Pesquisa Global de CEOs, realizada pela consultoria Pricewaterhousecoopers.

A partir de 301 entrevistas com empresários e altos executivos em dez países da região, o trabalho também detectou a preocupação dos líderes locais e racionalizar a administração de suas empresas. Os executivos sul-americanos são os que mais se preocupam em cortar itens desnecessários, entre seus pares de todo o mundo, segundo a pesquisa. A tarefa, contudo, fica mais complicada, à medida que novas obrigações aumentam as responsabilidades das lideranças locais. Para 88% dos entrevistados, o lançamento de novos produtos e serviços é o que mais eleva a complexidade da gestão empresarial, seguida pela terceirização de funções (74%), expansão para novos territórios (67%), e alianças estratégicas (66%).

Os executivos também destacaram que as leis e normas nacionais e internacionais, bem como a legislação tributária, contribuíram de modo importante para elevar o nível de complexidade em suas organizações nos últimos anos. A interferência de questões públicas sobre os negócios também passa pela falta de investimentos em infra-estrutura, pela redução da burocracia e pela estabilidade econômica da região.

As entrevistas foram realizadas entre setembro e novembro de 2005, sendo 79 no Brasil, 60 na Argentina, 46 no Chile, 35 na Colômbia, 30 no Peru, 21 na Venezuela, nove no Paraguai, seis no Uruguai, e quatro na Bolívia. Por faturamento, 32% da amostra são empresas com receita anual superior a 1 bilhão de dólares, 14% faturam de 500 milhões a 1 bilhão, 49%, menos de 500 milhões, e 5% não informaram a receita.