Fusão de Suzano e Fibria termina melhor do que começou

A maior produtora de papel e celulose da América Latina nasce com valor de mercado de 79 bilhões de reais ajudada pela alta do dólar e do preço da celulose

Depois de várias fusões que criariam gigantes brasileiros serem frustradas por restrições regulatórias, a união entre Suzano e Fibria chega à reta final como um negócio melhor do que o desenhado na época do anúncio, em março deste ano. A maior produtora de papel e celulose da América Latina nasce, em um processo quase sem percalços, com valor de mercado de 79 bilhões de reais, 37.000 funcionários diretos e terceirizados e receita total de 31,7 bilhões de reais nos nove primeiros meses deste ano. “É um sonho acalentado durante bastante tempo transformado em realidade. Cria uma empresa global, que exporta para mais de 90 países, extremamente competitiva”, disse Walter Schalka, presidente da Suzano e do novo grupo, em entrevista à imprensa por telefone hoje.

Ontem, a União Europeia, destino de cerca de 30% das vendas da nova companhia, concedeu o derradeiro aval para que a transação seja finalizada. Estados Unidos, China e Turquia, outros mercados relevantes da empresa, já haviam autorizado a fusão nos últimos meses por não verem ameaça à concorrência com a combinação de operações. O brasileiro Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) chancelou a compra da Suzano pela Fibria em outubro sem restrições nem condições.

Quando o contrato entre as duas antigas concorrentes foi assinado, os investidores temiam que o projeto fosse barrado, porque o Cade vem se mostrando muito mais rigoroso nos últimos anos na avaliação de fusões. Vetou a compra da faculdade Estácio pela Kroton em junho do ano passado, impediu a rede de postos de combustíveis Ipiranga de adquirir a Ale em agosto de 2017 e proibiu a Ultragaz de adquirir a Liquigás, da Petrobras, em fevereiro de 2018.

Os aspectos financeiros da transação também parecem mais favoráveis agora. Suzano e Fibria têm acima de 90% das receitas cotadas em dólar, moeda que se valorizou 17,6% nos últimos oito meses e fechou vendida a 3,8575 reais hoje. Comparando os três primeiros trimestres de 2018 com todo o ano de 2017, as vendas das duas companhias cresceram 42%. Como o montante a ser pago pela Suzano aos acionistas da Fibria, 29 bilhões de reais, será corrigido, desde março, apenas pela variação dos juros e não do dólar, isso significa que o desembolso ficará relativamente mais leve.

Além da apreciação da moeda americana, o aumento da celulose tem sido um vento a favor da fusão – de fevereiro a setembro, o preço da matéria-prima do papel subiu 3%, para 751 dólares a tonelada. O endividamento do grupo também está diminuindo mais rapidamente do que o esperado. Antes, estimava-se que terminasse o ano em 4,1 vezes o EBITDA (ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mas agora a projeção é que atinja 2,9 vezes no final de dezembro.

“Esse é um ótimo cenário, melhor do que as expectativas”, disse na entrevista à imprensa Marcelo Bacci, diretor financeiro e de relações com investidores da Suzano, que ocupará o mesmo cargo na nova companhia. Todos os seis atuais diretores da Suzano manterão suas posições, enquanto, da Fibria, apenas dois de seis foram mantidos – o diretor de operações Aires Galhardo e a diretora de sustentabilidade Maria Luiza Paiva. O novo conselho de administração deve ser informado em 14 de janeiro.

O grupo resultante da fusão se chamará Suzano SA, e seu logotipo será formado pelo nome da companhia, com um tipo de letra diferente do adotado até o momento, mais o desenho de uma folha que fazia parte da marca da Fibria. Essa mudança será implementada ao fim de 45 dias, que é o período final da consolidação da fusão. Em 10 de dezembro, a Suzano será listada na Bolsa de Nova York. Em 3 de janeiro, as ações da Fibria serão deslistadas da bolsa brasileira B3, e no dia seguinte os investidores da empresa passam a negociar seus papeis como sendo os da nova companhia.

A união de Suzano e Fibria passa para a história corporativa brasileira como um caso em que todos os envolvidos ganharam. Transformar essa empresa que nasce sem arranhões num grande negócio é um desafio que começa nesta sexta-feira.

Fusão de Suzano e Fibria termina melhor do que começou

A maior produtora de papel e celulose da América Latina nasce com valor de mercado de 79 bilhões de reais ajudada pela alta do dólar e do preço da celulose

Depois de várias fusões que criariam gigantes brasileiros serem frustradas por restrições regulatórias, a união entre Suzano e Fibria chega à reta final como um negócio melhor do que o desenhado na época do anúncio, em março deste ano. A maior produtora de papel e celulose da América Latina nasce, em um processo quase sem percalços, com valor de mercado de 79 bilhões de reais, 37.000 funcionários diretos e terceirizados e receita total de 31,7 bilhões de reais nos nove primeiros meses deste ano. “É um sonho acalentado durante bastante tempo transformado em realidade. Cria uma empresa global, que exporta para mais de 90 países, extremamente competitiva”, disse Walter Schalka, presidente da Suzano e do novo grupo, em entrevista à imprensa por telefone hoje.

Ontem, a União Europeia, destino de cerca de 30% das vendas da nova companhia, concedeu o derradeiro aval para que a transação seja finalizada. Estados Unidos, China e Turquia, outros mercados relevantes da empresa, já haviam autorizado a fusão nos últimos meses por não verem ameaça à concorrência com a combinação de operações. O brasileiro Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) chancelou a compra da Suzano pela Fibria em outubro sem restrições nem condições.

Quando o contrato entre as duas antigas concorrentes foi assinado, os investidores temiam que o projeto fosse barrado, porque o Cade vem se mostrando muito mais rigoroso nos últimos anos na avaliação de fusões. Vetou a compra da faculdade Estácio pela Kroton em junho do ano passado, impediu a rede de postos de combustíveis Ipiranga de adquirir a Ale em agosto de 2017 e proibiu a Ultragaz de adquirir a Liquigás, da Petrobras, em fevereiro de 2018.

Os aspectos financeiros da transação também parecem mais favoráveis agora. Suzano e Fibria têm acima de 90% das receitas cotadas em dólar, moeda que se valorizou 17,6% nos últimos oito meses e fechou vendida a 3,8575 reais hoje. Comparando os três primeiros trimestres de 2018 com todo o ano de 2017, as vendas das duas companhias cresceram 42%. Como o montante a ser pago pela Suzano aos acionistas da Fibria, 29 bilhões de reais, será corrigido, desde março, apenas pela variação dos juros e não do dólar, isso significa que o desembolso ficará relativamente mais leve.

Além da apreciação da moeda americana, o aumento da celulose tem sido um vento a favor da fusão – de fevereiro a setembro, o preço da matéria-prima do papel subiu 3%, para 751 dólares a tonelada. O endividamento do grupo também está diminuindo mais rapidamente do que o esperado. Antes, estimava-se que terminasse o ano em 4,1 vezes o EBITDA (ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mas agora a projeção é que atinja 2,9 vezes no final de dezembro.

“Esse é um ótimo cenário, melhor do que as expectativas”, disse na entrevista à imprensa Marcelo Bacci, diretor financeiro e de relações com investidores da Suzano, que ocupará o mesmo cargo na nova companhia. Todos os seis atuais diretores da Suzano manterão suas posições, enquanto, da Fibria, apenas dois de seis foram mantidos – o diretor de operações Aires Galhardo e a diretora de sustentabilidade Maria Luiza Paiva. O novo conselho de administração deve ser informado em 14 de janeiro.

O grupo resultante da fusão se chamará Suzano SA, e seu logotipo será formado pelo nome da companhia, com um tipo de letra diferente do adotado até o momento, mais o desenho de uma folha que fazia parte da marca da Fibria. Essa mudança será implementada ao fim de 45 dias, que é o período final da consolidação da fusão. Em 10 de dezembro, a Suzano será listada na Bolsa de Nova York. Em 3 de janeiro, as ações da Fibria serão deslistadas da bolsa brasileira B3, e no dia seguinte os investidores da empresa passam a negociar seus papeis como sendo os da nova companhia.

A união de Suzano e Fibria passa para a história corporativa brasileira como um caso em que todos os envolvidos ganharam. Transformar essa empresa que nasce sem arranhões num grande negócio é um desafio que começa nesta sexta-feira.