Francesa Soufflet compra 60% da Malteria do Vale

Aquisição da empresa brasileira servirá como benefício para a crescente demanda mundial por cerveja

Nogent-sur-Seine – A francesa Soufflet anunciou nesta segunda-feira que acertou acordo para comprar participação majoritária na produtora brasileira de malte Malteria do Vale para se beneficiar da crescente demanda mundial por cerveja.

A Soufflet, segunda maior produtora de malte do mundo e com plantações ao longo da Europa, fechou acordo para comprar 60 por cento da companhia brasileira por um valor não revelado. O negócio dará à companhia francesa, controle sobre a malteria paulista com capacidade de produção de 105 mil toneladas anuais.

A aquisição no Brasil, terceiro maior mercado de cerveja do mundo, dá à companhia francesa presença na América do Sul e uma primeira operação além do continente europeu.

Com o consumo de cerveja crescendo nos mercados emergentes e a indústria cervejeira mundial nas mãos de quatro grandes grupos globais, a Soufflet fez da expansão internacional em malte uma prioridade de investimento.

“Em malte, é preciso uma escala global para crescer no mesmo ritmo das cervejarias”, disse o presidente de conselho Jean-Michel Soufflet, na sede da companhia familiar centenária, na cidade rural de Nogent-sur-Seine. “Nós vamos para onde há potencial e onde podemos desenvolver o setor de malte”, acrescentou.

A malteria está localizada em Taubaté (SP) e usa principalmente cevada que chega da Argentina pelo porto de São Sebastião, onde a Malteria do Vale tem um silo, segundo a Soufflet.

Assim como no Leste Europeu, onde desenvolveu operações de malte desde o fim da União Soviética, a Soufflet quer produzir localmente para fortalecer os vínculos com cervejarias em crescimento.

Antes da aquisição no Brasil, a Soufflet já tinha 22 malterias em 11 países da Europa e antiga União Soviética.

A compra elevará a capacidade de produção para 2 milhões de toneladas por ano e deixará a companhia perto da Malteurop, cooperativa francesa que assumiu a liderança na década passada após comprar as operações de malte da norte-americana Archer Daniels Midland.