Ford vê retomada do setor na América do Sul só em 2016

Presidente da Ford América do Sul disse esperar uma melhora do mercado automotivo já no segundo semestre de 2015, já que o primeiro "talvez" continue com queda

São Paulo – O presidente da Ford América do Sul, Steven Armstrong, avaliou nesta quarta-feira, 3, que o ano de 2014 foi “estável” para a indústria automobilística no Brasil e na América do Sul e que só espera uma retomada do setor a partir de 2016.

Em almoço de fim de ano com a imprensa, ele disse esperar uma melhora do mercado automotivo já no segundo semestre de 2015, já que o primeiro “talvez” continue com queda.

Armstrong afirmou que 2014 foi um ano difícil para a América do Sul, com os principais mercados, como Brasil, Argentina e Venezuela, passando por recessão ou recessão técnica, e outros como Chile e Peru com as economias afetadas pela queda nos preços das commodities.

Segundo previsão da Ford, o mercado da região deve apresentar queda de cerca de 10% neste ano em relação a 2013, enquanto no Brasil o recuo deve ficar em 8%.

“Ou seja, temos uma enorme pressão para o nosso setor”, afirmou, destacando que os resultados negativos devem fazer com que o Brasil caia de 4º para 5º maior mercado automotivo no mundo.

“Precisamos trabalhar para retomar essa 5ª posição”, defendeu, ponderando que o 5º lugar não é tão ruim. Apesar das dificuldades, ele destacou que a Ford continua investindo. “Não interrompemos nosso ciclo de investimentos”, afirmou.

Armstrong ressaltou que, de 2011 a 2015, a Ford deverá ter investido R$ 4,5 bilhões no Brasil.

O presidente afirmou ainda que a empresa já teve resultados de investimentos com a estratégia de lançar produtos globais.

De acordo com ele, em novembro a empresa vendeu 30 mil unidades, 7,5% a mais do que outubro, representando aumento de 2,2% do market share, o quarto crescimento mensal seguido.

Mercado mundial

Sobre o mercado mundial, o diretor de Finanças da Ford América Latina, Amit Singhi, afirmou que a montadora espera chegar a 110 milhões de unidades em 2020, o que representará crescimento de 30% nos próximos sete anos, uma média de avanço de 3% a 4% ao ano.

Na avaliação dele, os carros pequenos deverão dominar a indústria automobilística, “como já vemos no Brasil”.

O diretor previu ainda que o Brasil vai ficar empatado em crescimento econômico neste ano, enquanto Estados Unidos, China e Índia devem apresentar forte expansão, apesar de a economia chinesa estar desacelerando.

Ele avaliou que, apesar dos problemas, a Ford está “muito bem posicionada” no mercado. “Temos um balanço financeiro muito forte para financiar o plano One Ford (de investimentos globais)”, afirmou.