Ford anuncia SUV Territory no Brasil e vai brigar com Jeep Compass

A montadora está se reposicionando e quer ganhar participação no segmento que ajudou a inaugurar no Brasil com o Ecosport

A Ford está correndo atrás do mercado que perdeu nos últimos anos com a chegada de inúmeros modelos SUVs ao país. A montadora anunciou nesta quarta-feira, 07, em São Paulo, a chegada do utilitário esportivo Territory para brigar na rentável categoria que tem a Jeep como líder. A previsão da Ford é que o modelo chegue às concessionárias no ano que vem.

A expectativa é que o Territory tenha como principal concorrente o Compass, da Jeep, que hoje é o décimo modelo mais vendido do país. A Ford não concedeu mais detalhes sobre o produto, alegando que o lançamento oficial será feito em breve.

A marca praticamente inaugurou o segmento de SUVs no Brasil em meados dos anos 2000 com o lançamento do Ecosport. Até então, o conceito de carros mais altos, com “espírito aventureiro”, era quase desconhecido por aqui. Por cerca de 15 anos, o modelo foi o líder da categoria.

Principalmente nos últimos 10 anos, os utilitários esportivos caíram no gosto do brasileiro. Quase todas as marcas passaram a oferecer modelos no segmento, acirrando a disputa no mercado local. E com a chegada da produção nacional do Jeep ao Brasil, em meados de 2015, o Ecosport perdeu seu reinado para o Renegade.

Posteriormente, a Jeep lançou o Compass, em uma categoria acima do Renegade – considerado SUV de entrada – e rapidamente o modelo do grupo Fiat Chrysler escalou o ranking dos mais vendidos do país.

Segundo o presidente da Ford para América do Sul, Lyle Watters, a marca não perseguirá a liderança apenas. “Comprar market share não é sustentável, não faremos um produto para ser somente o líder de um segmento”, disse.

Novo momento

A Ford está reformulando sua estratégia global. Anunciou recentemente a saída do negócio de caminhões e o encerramento das atividades do complexo industrial de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Com a decisão, as linhas de caminhões e do compacto Fiesta foram extintas.

A montadora figurou por muitas décadas no clã das “quatro grandes” marcas de automóveis do país, juntamente com a Volkswagen, Fiat e General Motors. No entanto, essa configuração do mercado foi perdendo espaço para empresas como Renault, Hyundai e até Toyota. Hoje, a Ford está no sétimo lugar do ranking de vendas da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Apenas o compacto de entrada Ka figura entre os dez modelos mais vendidos do país no acumulado do ano (no terceiro lugar).

Para trilhar o caminho da renovação, a montadora aposta no discurso de valor agregado. A meta, segundo executivos, é tornar a marca a “mais conectada da América do Sul”.

No entanto, a disputa está cada vez mais acirrada no Brasil, especialmente nos segmentos de entrada e em SUVs, cuja oferta cresceu entre todas as marcas. Segundo Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford América do Sul, o objetivo da empresa é entregar o melhor custo-benefício ao consumidor, e um exemplo emblemático é o Territory.

“Como o modelo virá da China, vai ser mais barato e terá a qualidade Ford garantida”, afirmou o executivo a EXAME. Ele disse que não há previsão para o modelo ser fabricado localmente com um eventual ganho de escala.

Sobre a diversidade do portfólio, Golfarb explica que a abordagem da Ford será diferente da tradicional, sem concentrar esforços extras para uma ou outra categoria. “Precisamos entregar o que nossos consumidores querem e todos desejam um patamar superior de conectividade. Essa é a maneira como estamos nos posicionando.”