Financial Times estreia no Brasil com versão em inglês

Edição impressa do jornal será a mesma dos Estados Unidos; site, por outro lado, ganhará página da América Latina

São Paulo – A edição do Financial Times chega hoje às bancas do país, mais especificamente nas praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. É a primeira vez que o jornal britânico é impresso na América Latina. A partir desta quarta, o site da publicação também colocará no ar uma página voltada para a região, além de oferecer um aplicativo móvel para smartphones. “O crescimento da audiência e da oferta de produtos consolidam a América Latina como um importante centro para negócios e finanças globais”, afirmou John Ridding, CEO do FT.

Editorialmente, a versão brasileira será a mesma que circula nos Estados Unidos, escrita em inglês. A diferença está mais para o lado técnico: o jornal será impresso com uma tecnologia da HP de jato de tinta de alta velocidade. A gráfica BMK, em São Paulo, ficará responsável pela produção e o banco de investimentos BNY Mellon patrocinará o lançamento.

Já o aplicativo para smartphones e a página da FT para a América Latina deverão reservar um “espaço mais proeminente para o conteúdo que é relevante ao nosso público local”, como informou a empresa à EXAME.com.

Apesar de não revelar a tiragem do jornal por país ou região, o FT reforçou que vem observando um crescimento contínuo no tráfego de usuários latino-americanos no seu site. No Brasil, os assinantes do FT.com têm crescido a um ritmo de 40% ao ano. No ano passado, a empresa já havia marcado sua entrada no país com o lançamento do Brazil Confidential, um serviço quinzenal de notícias premium que era ofertado na China. Sem especificar o número de profissionais que atuam no país, o FT disse contar com 14 colaboradores na América Latina.

Nesta manhã, o CEO da empresa participa da abertura do pregão da Bovespa, em Sâo Paulo. No mesmo local, o FT irá coordenar um painel para discutir o mercado de capitais no país, com a participação do CEO do BTG Pactual, André Esteves, e do CEO do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin.

Negócio

Muito antes de concorrentes como o The New York Times adotarem a cobrança de conteúdo, o Financial Times colocou o modelo em prática nos idos de 2002. O jornal foi pioneiro em liberar um determinado número de artigos por mês, solicitando o pagamento pelo acesso ilimitado.

O Grupo FT, que detém uma parcela de 50% na revista The Economist, embolsou 427 milhões de libras em 2011 (um aumento de 6%) e viu seu número de assinantes atingir a marca histórica de 600.000 pessoas. Os negócios digitais e de serviços responderam por 47% do faturamento, contra um percentual de apenas 25% em 2007.

A companhia é controlada pela britânica Pearson, que é dona da Editora Penguin e de uma série de outros negócios editoriais e de educação, incluindo 45% da Companhia das Letras no país.