Ferrari gera polêmica ao apoiar marinheiros retidos na Índia

Escuderia causou incidente diplomático com apoio a soldados responsáveis pela segurança de um petroleiro italiano presos em março por terem matado a tiros pescadores

São Paulo – A escuderia Ferrari causou um incidente diplomático durante o Grande Prêmio da Índia ao exibir na parte dianteira dos seus carros uma bandeira da Marinha Italiana, em sinal de apoio a dois marinheiros que estão retidos no país asiático desde o mês de março.

Estes dois soldados, Massimiliano Latorre e Salvatore Girone, responsáveis pela segurança de um petroleiro italiano que navegava pela costa indiana, foram presos em março por terem matado a tiros pescadores que haviam confundido com piratas.

Eles foram liberados em maio depois do pagamento de uma fiança de dez milhões de rupias (143.000 euros) e de terem entregue seus passaportes às autoridades do país.

Na tarde de sexta-feira, após a bandeira da Marinha Italiana ter sido exibida nos carros durante os treinos livres, a Ferrari enviou um comunicado para explicar que o gesto tinha apenas um caráter simbólico.

“Tratou-se apenas de uma homenagem a uma das instituições de maior prestígio no nosso país. Com todo o respeito devido às autoridades da Índia, é preciso descartar qualquer significado político”, explicou a escuderia italiana.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Giulio Terzi, saudou a iniciativa da Ferrari na sua conta da rede social ‘Twitter’.

“Isso mostra aos nossos marinheiros que todo o país está apoiando eles”, publicou o ministro.

Em seguida, um porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da Índia reagiu ao alegar que esta iniciativa é uma falta de respeito às famílias dos pescadores, além de declarar que “o uso do esporte para defender assuntos sem relevância esportiva não corresponde ao espírito da competição”.

Já a Federação Indiana de Automibilismo (FMSCI) também criticou a Ferrari. “O código esportivo da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) é totalmente apolítico e proíbe qualquer referência de cunho religioso”, lembrou Vicky Chandhok, presidente da FMSCI.

O dirigente também explicou que o fato de exibir a bandeira da Marinha Italiana nos carros da Ferrari “não terá nenhum efeito no caso e não será permitida nenhuma tentativa de impedir o processo nem de politizar o Grande Prêmio”, completou.