Farmacêuticas globais miram laboratório Aché, dizem fontes

Conforme EXAME antecipou, o BTG Pactual e a família Depieri, que controlam o laboratório, preparam proposta para compra da empresa com ajuda de grupos internacionais

 Empresas farmacêuticas internacionais estão considerando fazer uma proposta pela Aché, uma das maiores fabricantes de medicamentos do Brasil, em um negócio estimado em vários bilhões de dólares, disseram fontes envolvidas no processo.

A Aché, de capital fechado, poderia atrair uma série de laboratórios que procuram aumentar sua presença na América Latina –uma região no radar dos grandes grupos farmacêuticos que buscam novos mercados para compensar vendas tépidas em países desenvolvidos.

Fontes disseram que o braço brasileiro do banco de investimentos Lazard foi contratado por acionistas para avaliar a venda da Aché –e muitos grupos da Europa e dos Estados Unidos demonstraram interesse.

Não está claro se a venda será concluída, diante de divisões de opinião entre as três famílias que controlam a Aché, com duas mais dispostas a vender do que a terceira.

O futuro da Aché foi colocado mais em dúvida pela renúncia na quarta-feira de seu presidente José Ricardo Mendes da Silva. A assessoria de imprensa do laboratório disse que o executivo está saindo por razões pessoais e um comitê gestor vai gerir a empresa.

A assessoria da Aché recusou comentar se o grupo será vendido. Representantes da Lazard em Londres disseram que não poderiam comentar sobre o papel do banco no processo.

O Brasil foi palco de uma série de fusões e aquisições no setor farmacêutico nos últimos anos, incluindo a compra da fabricante de medicamentos genéricos Medley pela francesa Sanofi por 500 milhões de euros (670 milhões dólares) em 2009.

A Sanofi pagou 3,3 vezes as vendas históricas da Medley. Um múltiplo semelhante para a Aché, que tem vendas de cerca de 750 milhões de dólares por ano, atribuiria um valor de 2,5 bilhões de dólares à companhia.

Na prática, os proprietários da Aché estariam esperando um montante muito maior, refletindo a dependência muito menor do laboratório nos medicamentos genéricos, onde as margens são inferiores.

Não está claro quais empresas estão avaliando a Aché, mas o Brasil é um foco importante para muitos dos principais grupos farmacêuticos globais, como Pfizer, GlaxoSmithKline e Novartis.


Embora ocupe a quarta posição em termos de vendas totais de remédios no Brasil, a Aché é líder no mercado de medicamentos com prescrição e tem um histórico de produtos de marca própria.

Em 2005, desenvolveu o anti-inflamatório Acheflan a partir de uma planta nativa –o primeiro medicamento a ser pesquisado e desenvolvido inteiramente no Brasil.

A exposição da Aché aos genéricos é relativamente limitada. A agência de classificação de risco Fitch Ratings prevê que o portfólio de genéricos da Aché não represente mais do que 10 a 15 por cento das receitas futuras.

A Fitch disse em relatório no mês passado que a posição comercial da Aché está se fortalecendo e que suas margens de lucro são fortes e estáveis.

A receita da Aché nos 12 meses até 30 de setembro de 2012 foi de 1,5 bilhão de reais e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 540 milhões de reais, segundo a Fitch.

A Aché tem 3,3 mil empregados, incluindo mais de 1,6 mil representantes de vendas, e também tem se expandido no exterior, com contratos para exportar 40 medicamentos para 12 países.