Fábricas de gurus

Gurus de administração e toda sorte de palestrantes famosos estão tendo de enfrentar agora uma forte concorrência nos palcos corporativos. Em muitas empresas, os próprios funcionários vêm lotando auditórios, contando histórias de vida ou falando de assuntos técnicos, como marketing, gestão e finanças. “Para o funcionário, é uma ótima oportunidade de revelar seu lado educador”, diz Liliane Veinert, diretora de recursos humanos do BankBoston. “Para a empresa, a vantagem é não gastar com gente de fora e aproveitar pessoas que entendem de fato do negócio.”

No BankBoston, por exemplo, nos últimos meses nove funcionários mobilizaram-se para dividir experiências com o pessoal. Um analista econômico falou sobre macroeconomia. Um gerente contou como uma viagem para Santiago de Compostela influenciou sua carreira. Desde que passou a incentivar os empregados a virar palestrantes, o banco vem recrutando cada vez menos os bambambãs dos auditórios e está estimulando a formação de novos talentos da oratória. “Pretendemos dar a cada voluntário um cartão de pontos para ser revertido em benefícios, como cursos fora da empresa ou extensão do convênio”, diz Liliane.

A IBM e a Ford também estão à caça de funcionários que se disponham a subir ao palco, seja em apresentações sobre motivação, seja em treinamentos para a equipe. Na Ford, o próprio Antonio Maciel Neto, presidente e garoto-propaganda oficial da montadora, é um dos palestrantes mais freqüentes. “O exemplo está estimulando os outros funcionários”, afirma Célia Silvério, diretora de recursos humanos da Ford. Nos últimos dez meses, 250 funcionários deram palestras, cursos ou treinamentos nos arredores da montadora em São Bernardo do Campo. No último ano, não saiu um centavo do caixa da montadora para pagamento de algum guru.

Na IBM, a equipe de RH procura identificar as pessoas com mais habilidade para falar de determinados assuntos. “Geralmente escolhemos o tema e, então, buscamos o especialista”, diz Luciana Camargo, gerente de talentos da IBM. “Enquanto tivermos gente preparada, não será necessário buscar alguém lá fora.”