EUA formalizam embargo à Huawei, que se volta à China (e ao Brasil)

No segundo trimestre, a companhia vendeu mais celulares na China do que a Apple comercializou em todo o mundo

São Paulo — A partir desta terça-feira (13), o que já vinha sendo praticado desde o mês de maio será formalizado: os Estados Unidos irão colocar em prática uma legislação que proíbe a assinatura de contratos entre agências do governo e a gigante da tecnologia Huawei.

A regra imposta pela gestão do presidente Donald Trump em meio à tensão comercial com o país asiático veda qualquer negócio com a companhia chinesa, que vem demonstrando que não jogará a toalha.

Além da Huawei, outras empresas de comunicação da China também farão parte do embargo norte-americano que passa a valer como legislação oficial a partir de hoje.

As sanções já vinham sendo adotadas desde o mês de maio, quando os EUA também impediram a Huawei de comprar tecnologia do país, suspendendo o fornecimento de componentes vitais para a empresa, como chips da Qualcomm e o software operacional Android do Google. 

A despeito da gestão Trump ― que usa os embargos como meio de se crescer sobre a China em meio a guerra comercial ― e para a surpresa de alguns analistas, entretanto, a Huawei fechou o primeiro semestre com uma alta de 23% no faturamento ante o mesmo período do ano passado. 

Em grande parte, o que possibilitou o feito foi voltar a atenção para o mercado interno. Segundo dados da consultoria International Data Corporation, a Huawei vendeu 58,7 milhões de celulares entre abril e junho, sendo que 62% – 36,4 milhões de unidades – foram comercializados na China, batendo assim os 33,8 milhões de iPhones vendidos pela Apple em todo o mundo no mesmo período.

Em sua Conferência de Desenvolvedores, a Huawei apresentou seu próprio sistema operacional para smartphones que a tira da dependência dos rivais IOS, da Apple, e Android, do Google. Para seu fundador, Ren Zhengfei, a Huawei terá de usar um “exército de ferro” para continuar crescendo.

Uma fábrica de 800 milhões de dólares foi confirmada e deve começar operar até 2022 em São Paulo. Zhengfei também disse que sua empresa adotará um plano de reestruturação que deve durar de três a cinco anos para enfrentar os embargos dos EUA. 

Se a China impuser sanções ainda mais fortes aos Estados Unidos, empresas norte-americanas que compram componentes na China ou que vendem para o mercado chinês também podem ser afetadas. Um exemplo é a própria Apple, que concentra quase toda a produção do iPhone na China.