EUA deve assumir controle da Nokia e Ericsson para combater Huawei

Uma das principais preocupações do país é com a baixa escala dos fornecedores em comparação com a gigante de tecnologia chinesa

Os Estados Unidos e seus aliados devem assumir o controle da Nokia, Ericsson ou de ambos para combater o domínio da gigante chinesa de telecomunicações Huawei no mercado 5G, afirmou nesta quinta-feira o procurador-geral dos EUA, Bill Barr.

“Existem apenas duas empresas que podem competir com a Huawei no momento: Nokia e Ericsson”, afirmou Barr em discurso sobre a ameaça econômica chinesa.

“A principal preocupação sobre esses fornecedores é que eles não têm a escala da Huawei nem o apoio de um país poderoso com um grande mercado incorporado como a China”, afirmou.

Barr, que falava em uma conferência sobre ameaças à segurança da China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, passou 14 anos como alto executivo das empresas de telecomunicações americanas GTE e Verizon antes de liderar o Departamento da Justiça.

Destacou que já existem propostas na mesa para os EUA “se alinharem” com a Ericsson, uma empresa sueca ou a Nokia da Finlândia.

As propostas envolvem “a propriedade americana de uma participação controladora, diretamente ou através de um consórcio de empresas privadas americanas e aliadas”, disse ele.

“Colocar nosso grande mercado e investimento financeiro atrás de uma ou de ambas as empresas tornaria o concorrente muito mais formidável e eliminaria as preocupações sobre seu poder de permanência”.

“Nós e nossos aliados mais próximos certamente precisamos considerar ativamente essa abordagem”.

Barr descreveu a Huawei, que já domina o desenvolvimento do mercado de comunicações 5G da próxima geração, como uma ameaça profunda que, se não for contestada, daria a Pequim “poder sem precedentes” sobre a indústria e a segurança dos EUA e do Ocidente.

“Se a China estabelecer domínio exclusivo sobre o 5G, será capaz de dominar as oportunidades decorrentes de uma variedade impressionante de tecnologias emergentes, que serão dependentes e entrelaçadas com a plataforma 5G”, destacou.

“Do ponto de vista da segurança nacional, se a internet industrial se tornar dependente da tecnologia chinesa, a China teria a capacidade de desligar os países da tecnologia e dos equipamentos dos quais dependem seus consumidores e indústrias”.

“Dada a estreita janela que enfrentamos, o risco de perder a luta 5G com a China deve superar amplamente todas as outras considerações”, acrescentou.