Eternit pode pagar R$ 1 bi por expor funcionários a amianto

Empresa está sendo processada pelo Ministério Público do Trabalho por expor funcionários de uma fábrica em Guadalupe (RJ) ao material, que pode causar câncer

São Paulo – A fabricante de materiais de construção Eternit está sendo processada pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ) em 1 bilhão de reais por sujeitar os funcionários a risco por exposição ao amianto em uma unidade em Guadalupe (RJ).

Segundo o MPT, um inquérito aberto em 2008 constatou que a empresa desobedece normas de segurança e mantém máquinas mal conservadas, o que causaria vazamento de poeira de amianto. O contato contínuo com o material pode causar doenças como o câncer.

A investigação também teria constatado que a Eternit não emitia comunicação de aciente de trabalho (CAT) e que havia casos de trabalhadores que ficaram doentes nos anos 1980, mas que só tiveram o documento emitido em 2014.

A ação pede que a companhia faça a reparação de máquinas e equipamentos e convoque ex-empregados para realizar exames, por meio de anúncios em televisão e jornais.

Em maio, a Eternit foi condenada a indenizar em 1 milhão de reais a família de um ex-funcionário que sofria de mesotelioma pleural, um tipo de câncer causado principalmente pela inalação de amianto.

Em agosto do ano passado, a empresa foi acionada pela Justiça por ter exposto os empregados de uma fábrica em Osasco (SP) ao produto. O processo, também movido pelo MPT, pedia uma indenização de 1 bilhão de reais por danos morais coletivos. Na época, a companhia foi obrigada a custear plano de saúde para os ex-trabalhadores da unidade.

Procurada por EXAME.com, a Eternit disse que “até o momento, não foi oficialmente comunicada sobre a mencionada ação e, portanto, não tem conhecimento do inteiro teor da mesma.”