Estudo da Watson Wyatt relaciona programas de Capital Humano com retorno financeiro

De todas as ações de recursos humanos, a que mais está ligada a retornos positivos de lucro e valorização da empresa é a remuneração. “Recompensar os funcionários por um bom trabalho – e recusar-se a aceitar desempenho medíocre – tem um impacto dramático no valor da empresa”, diz o relatório Human Capital Index, produzido pela consultoria de recursos humanos Watson Wyatt com análise de dados de mais de 750 grandes empresas dos Estados Unidos, Canadá e Europa.

Remuneração tornou-se a dimensão mais importante do Índice de Capital Humano (HCI) da Watson Wyatt, ultrapassando a dimensão Recrutamento, primeira colocada do estudo de 2000. O quadro geral é:

1) Remuneração Total e Responsabilidade: 16,5% de impacto no valor da empresa

2) Ambiente de Trabalho Flexível e Companheiro: 9,0%

3) Recrutamento e Retenção da Excelência: 7,9%

4) Integridade nas Comunicações: 7,1%

5) Tecnologias de RH Focadas: 6,5%

6) Recursos a Ser Usados com Prudência: -33,9%

Na dimensão remuneração, a prática de maior impacto é “benefícios de saúde”, com 2,8%. Em seguida vem “alta porcentagem de ações nas mãos dos funcionários”, com 1,3%.

Na dimensão ambiente de trabalho, a prática de maior impacto é “flexibilidade da companhia nos arranjos de trabalho”, com 3,5%. Em seguida vem “alta satisfação dos funcionários”, com 1,3%.

Na dimensão recrutamento, a melhor prática é “baixa rotatividade de gerentes e profissionais técnicos”, com 1,7% de impacto nos resultados financeiros.

Na dimensão comunicações, a melhor prática é “empregados têm fácil acesso a tecnologias de comunicação”, com 4,2% – a prática com o maior impacto isolado.

Entenda como foi feito o relatório

O estudo da Watson Wyatt comparou a adoção de práticas de RH com medidas financeiras objetivas, como retorno aos acionistas, valor de mercado e a Tobins Q (uma taxa, inventada pelo Prêmio Nobel de Economia James Tobin, que mede a capacidade da empresa de criar valor além dos seus ativos físicos).

Utilizando uma série de análises regressivas, foi possível estabelecer a correlação entre as práticas de gestão e os resultados financeiros. Ou seja, quantas companhias que tiveram desempenho excelente usaram esta ou aquela prática. Isso não quer dizer que a prática x seja a causa do resultado positivo, mas sim que no grupo de empresas que usou a prática x há mais resultados excelentes do que na média geral.

“Notamos que as companhias com melhor desempenho não apenas têm programas mais caros, elas têm programas totalmente diferentes dos das empresas de desempenho fraco”, diz o relatório. Mais do que isso: a correlação entre práticas de RH adotadas num dado momento e o desempenho financeiro posterior é mais do que o dobro da correlação entre ter tido bom desempenho financeiro no passado e ter novamente. Ou seja, é mais prudente apostar no bom desempenho de uma empresa que adote boas práticas de RH do que numa empresa que tenha ido bem no passado.

O estudo, concluído em 2002, relacionou 49 práticas com grande impacto nos resultados financeiros – 43 positivas e 6 negativas.

Clique aqui para ver um resumo do relatório, em inglês.