Escândalos levam a pausa em investimentos na W. Asset

A Western Asset Management Co. evita novos investimentos em dívidas corporativas brasileiras, por investigação de subornos na Petrobras e grandes construtoras

São Paulo – A Western Asset Management Co. está evitando novos investimentos em dívidas corporativas brasileiras devido à duração da investigação de subornos que envolveu a Petrobras e algumas das maiores empresas construtoras do país.

“Apesar de os bonds corporativos do Brasil continuarem interessantes, estamos pausando novos investimentos devido aos escândalos de corrupção procedentes do país”, disse Christopher Orndorff, que ajuda a administrar US$ 450 bilhões como gestor de portfólio da Western Asset Management, em entrevista ontem em São Paulo.

“Acreditamos que ainda é bastante cedo no processo. As investigações tendem a durar anos e não me surpreenderia se também envolvessem outros setores”

Dois ex-executivos da Petrobras foram presos neste ano como parte de uma investigação de corrupção multibilionária que se espalhou para as principais empresas de construção e engenharia do Brasil, que possuem R$ 59 bilhões (US$ 23,6 bilhões) em contratos com a produtora de petróleo.

As vendas de dívidas do Brasil no exterior caíram 43 por cento no segundo semestre em relação ao ano anterior e caminham para a quantidade mais baixa desde a crise financeira de 2008.

Os bonds corporativos brasileiros deram retorno de 5,7 por cento neste ano, contra um ganho médio de 6,4 por cento para dívidas corporativas de mercados emergentes no mesmo período.

A Petrobras disse que é uma “vítima” na investigação liderada pela Polícia Federal do Brasil e está cooperando com as autoridades. A empresa preferiu não comentar o desempenho de seus bonds em dólares e o impacto da investigação sobre a dívida corporativa das empresas brasileiras.

Orndorff ajuda a gerenciar o Western Asset Global Strategic Income Fund, de US$ 406,4 milhões, que teve um desempenho melhor que 89 por cento de seus pares nos últimos três anos. Os títulos soberanos denominados em reais eram seu quinto maior patrimônio em junho, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Bonds da inflação

As notas do governo ligadas à inflação continuam sendo um investimento atrativo porque os aumentos dos preços ao consumidor não irão desacelerar de forma significativa nos próximos meses, disse Orndorff. A inflação excedeu o centro da meta do país nos últimos quatro anos, atingindo uma taxa anual de 6,42 por cento em meados de novembro.

Os bonds do governo do Brasil deram retorno de 2,8 por cento neste ano em termos de dólares, contra um prejuízo médio de 1,3 por cento para dívidas soberanas locais de mercados emergentes, segundo dados compilados pelo JPMorgan Chase Co.

Os investidores estrangeiros também estão adiando os investimentos no Brasil porque esperam que a volatilidade do real diminua, segundo Orndorff. A volatilidade implícita nas opções de um mês do real, que reflete mudanças projetadas na taxa de câmbio, são as mais altas entre as 31 principais moedas monitoradas pela Bloomberg, depois do rublo russo.

“Até reconhecermos esse patamar, os investidores estrangeiros ficarão muito cautelosos e vão demandar prêmios de risco mais altos para compensar a volatilidade da moeda”, disse ele.