Entenda o que é o Movimento Brasil Competitivo

Cláudio Gastal, diretor do MBC, explica os princípios do movimento que quer modernizar a gestão pública brasileira

Este foco na melhoria da gestão pública está diretamente ligado às estratégias do MBC. Quando a gente fala em competitividade em um país, estamos falando da necessidade de que todos os setores da economia sejam competitivos: o setor privado e o setor público. Que tenhamos um ambiente jurídico de negócios satisfatório para o aumento da competitividade das empresas e o próprio terceiro setor seja competitivo também. O setor público tem uma função fundamental que é tornar o ambiente do país satisfatório para o aumento da competitividade, com respostas rápidas, por isso, é fundamental promover a competitividade do país como um todo.

A missão do MBC é buscar a competitividade do país, buscar a melhoria da qualidade de vida da população brasileira, não tem como só pensar no aumento da competitividade do setor privado, não tem como ter empresas competitivas se o ambiente não for competitivo sustentavelmente, se o setor público não tiver gestão eficiente que permita ao setor privado ser competitivo.

Primeira experiência

A experiência indireta foi em Minas Gerais. O MBC não estava envolvido, eram diretamente empresas locais, mas a partir do sucesso desta experiência, o MBC como entidade nacional que congrega varias organizações privadas brasileiras que têm este objetivo, sentiu que era necessário fazer aquela experiência replicar em todo o país, buscando criar uma grande onda, um grande movimento em que a gestão pública entrasse na pauta dos estados, nos municípios, no governo federal. A partir daí, nós partimos para a prefeitura de São Paulo e o Ministério de Desenvolvimento Social. Depois, no começo de 2007, com a posse dos novos governadores, passou a ser um projeto maior de investir em gestão para fazer mais com menos, sem ter aumento de impostos e ter mais eficiência e maior produtividade.

É um modelo que podemos chamar de PPP, uma parceria privada e pública. O MBC tem esta função de mobilizar o setor público, demonstrando que é possível ter uma gestão eficiente e ter resultado, que é possível conseguir melhorar sua eficiência de despesa e sua arrecadação sem aumentar impostos, redesenhar processos e, por outro lado, mobilizar o setor empresarial brasileiro para que perceba a importância que tem apoiar essas iniciativas. Na década de 90, as empresas experimentaram e investiram muito na gestão, e o que nós queremos agora é que o setor privado apóie o setor público nesta incorporação de ferramentas de gestão.

O programa hoje

Hoje nós temos Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio grande do Sul, prefeitura de Porto Alegre, prefeitura de São Paulo, Distrito Federal, Ministério de Desenvolvimento Social e Ministério do Planejamento.

O Jorge Gerdau colocou como meta para este ano, para o MBC, colocar o programa em todos os 27 estados brasileiros, então uma das funções que tenho é peregrinar o Brasil inteiro demonstrando os resultados e as possibilidades. Hoje já temos boas iniciativas para começar no Mato Grosso e Roraima que são dois estados com bastante foco nas questões ambientais e incorporar ferramentas de gestão, não vai resolver tudo, é claro, mas vai auxiliar a tratar também essas questões.

O Gerdau é uma figura emblemática e a grande liderança nesta questão de gestão hoje no país. Em todo discurso que faz, ele sempre coloca esta questão do setor público como grande meta e objetivo que deve ser buscado, ele tem esta capacidade de mobilizar o setor público e o privado para esta causa. Tem uma questão da credibilidade como liderança. Ele transita em todas estas esferas pela sua credibilidade, por ser antes de um empresário, um grande cidadão e, para nós da equipe técnica é muito importante porque você não tem como fazer um movimento desses sem uma liderança forte. A liderança que faz a mobilização. Eu não tenho como chegar num estado como Pará, Maranhão, Roraima, para falar sobre gestão pública se eu não tiver esta credibilidade de uma pessoa como Jorge Gerdau.

Ele incorporou esta missão 24 horas por dia, 7 dias por semana e 31 dias por mês.

O Marcelo Deda, governador de Sergipe, já está a sete meses no programa e é muito interessante. Ele teve capacidade de assumir que não conhecia gestão e tinha suas resistências. Hoje ele diz que não tem condições de governar sem as ferramentas de gestão. Déda é um exemplo de pessoa que incorporou o processo e hoje diz que a gestão pública não é mais uma questão pontual e sim uma plataforma dele como governante.

Temos que mobilizar cada vez mais o setor empresarial. Ele ainda tem muito que contribuir para esta caminhada e acreditar que o setor privado não pode mais ficar só no questionamento, ele têm que se comprometer com este processo de mudança, por isso chamamos de parceria privada e publica. É o setor privado se comprometendo com processo de mudança da melhoria pública.