Enel eleva para R$ 32 o preço ofertado por ação da Eletropaulo em OPA

Novo valor consta no terceiro aditamento ao edital de oferta pública voluntária concorrente para aquisição das ações de emissão da distribuidora

São Paulo – O grupo Enel elevou seu lance na briga para levar o controle da distribuidora paulista Eletropaulo, ao ofertar R$ 32 por ação da empresa. O novo valor proposto é 8,8% superior à oferta da concorrente Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola, que na semana passada anunciou uma oferta pública voluntária de ações concorrente a R$ 29,40/ação.

O novo valor consta no terceiro aditamento ao edital de oferta pública voluntária concorrente para aquisição das ações de emissão da distribuidora, que foi disponibilizado no fim da tarde desta quarta-feira, 25, pela Eletropaulo.

No aditamento, a Enel diz que o aumento de preço “confirma a intenção” do grupo italiano em continuar participando de um processo competitivo, transparente e justo para aquisição do controle da Eletropaulo, por meio de ofertas públicas concorrentes de aquisição de ações, e reitera que sua oferta está condicionada ao cancelamento dada oferta pública de distribuição de ações, com esforços restritos (follow on).

A Enel sinalizou, em suas declarações, que considera o aumento de seu lance como uma “resposta” ao comunicado ao mercado divulgado pela Eletropaulo na última segunda-feira (23).

Na ocasião, a distribuidora paulista divulgou um longo texto, atendendo a pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de se manifestar sobre o “sentido econômico” para a companhia e seus acionistas de dar andamento ao follow on.

A manifestação foi solicitada pela CVM, após carta encaminhada pelo grupo italiano, que argumenta que a operação “não está sendo realizada no momento mais adequado”, tendo em vista a competição acirrada pelo controle da Eletropaulo por grandes grupos de energia.

No texto, a Eletropaulo afirma que o follow on é “perfeitamente justificável”, mas diz que continuaria avaliando as opções, “tomando em conta o cronograma do follow on, as restrições de prazo estabelecidas pelos ofertantes e a possibilidade do surgimento de propostas mais vantajosas dos atuais ofertantes ou de terceiros”.

A distribuidora também sugeriu que a Enel deveria melhorar sua proposta de forma a vencer a disputa pelo preço, criticando o debate via “carta aberta” iniciado pela italiana.

“Na verdade, cabe exclusivamente à Enel, se atenta ao melhor interesse dos acionistas da Eletropaulo e à competitividade da oferta, fazer uma oferta de preço mais atraente e, se e quando bem-sucedida, realizar a capitalização como já contratado por uma de suas concorrentes”, disse a companhia.

O conselho de administração da Eletropaulo se reúne nesta noite, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, e deve discutir o seguimento do follow on, tendo em vista o prazo dado pela Enel, até esta quarta, para o cancelamento da operação.