Empresas perdem funcionários e não investem para mantê-los

Segundo estudo do Hay Group, 70% das companhias tiveram problemas para contratar e 51% para manter suas equipes em 2013, mas só 11% têm programas de retenção

São Paulo – Contratar novos funcionários não foi uma tarefa fácil para a maioria (70%) das empresas durante o ano passado. Ao mesmo tempo, convencê-los a ficar no emprego também foi um problema para metade delas (51%).  É o que aponta um recente estudo feito pelo Hay Group junto a 214 companhias. 

Apesar dessas dificuldades, segundo a pesquisa, apenas 11% das organizações desenvolveram programas de retenção para minimizar a rotatividade em suas equipes. 

Na hora de contratar, o principal desafio para as empresas é encontrar trabalhadores de nível técnico, principalmente nas áreas de engenharia, manutenção, TI, financeiro, vendas e produção. 

O setor de engenharia, assim como o de vendas, também está entre os que apresentam os mais graves problemas de retenção (apontadas por 17% das empresas, cada uma). À frente deles, aparece apenas a área de operações, citada por 44% das organizações.  

Não por acaso, 26% das companhias admitem administrar engenheiros de forma diferenciada, apostando principalmente em salários agressivos (estratégia usada por 61% delas).

Segundo Lucimar Carvalho, gerente do Hay Group, a atenção especial ao grupo se dá também porque o piso salarial desses profissionais é mais alto do que de outras áreas e as faixas de remuneração são construídas por nível e não por cargo, como é comum em outras carreiras. 

“Além disso, há uma demanda maior do que a oferta de engenheiros e, se é assim, eles recebem um maior número de propostas. O que as empresas estão fazendo para resolver é criar faixas salariais diferenciadas para eles”, diz. 

Programas robustos

Para Lucimar, a baixa adesão das companhias aos programas de retenção é causada pela sua complexidade.  “Eles têm um nível de sofisticação muito grande e precisam ser muito bem comunicados e construídos”, afirma. 

Segundo ela, é preciso ter claro quais profissionais se quer reter e verificar se eles têm competências alinhadas com o negócio da empresa. 

A gerente exemplifica essas dificuldade com dados da própria pesquisa. Entre as organizações que já possuem esses projetos, a maioria (29%) diz que procura conquistar as pessoas com alto potencial. “Mas o que é o alto potencial? É preciso definir e ter um mecanismo para medir isso”, reforça.  

Durante o ano passado, as empresas que têm programas de retenção investiram principalmente na implantação, manutenção ou comunicação do processo de avaliação de desempenho (59%) e em programas de desenvolvimento de liderança (50%). Os aumentos salariais foram o quesito menos representativo, com 8%. 

Para 2014, os esforços devem se concentrar na implantação e/ou comunicação de programas de carreira (42%), na construção de planos de sucessão organizacional para posições chave (40%) e também nos programas de desenvolvimento para lideranças (40%). Novamente, os aumentos na remuneração não serão prioridade, com 20%.

“A remuneração é superimportante, mas a partir do momento em que ela é justa, não é isso que vai fazer os funcionários ficarem. Ela é um fator considerável para a atração, quando não se conhece o clima e a liderança da empresa, mas não de retenção”, diz Lucimar. 

De acordo com ela, isso se confirma no principal motivo para os pedidos de demissão durante o ano passado, de acordo com a pesquisa: uma melhor oferta da concorrência para aumento de nível hierárquico (28%). Em seguida, aparecem a melhor oferta para o mesmo cargo (24%) e a oportunidade em outra área (16%). 

“As pessoas escolhem empresas com planos de carreira muito mais agressivos, em que elas entendem o processo de avaliação de desempenho e de formação de liderança”, conta Lucimar.