Empresas brasileiras querem ampliar mercado no Golfo Pérsico

De acordo com a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos, em 2014 foram fechados US$ 653 milhões em negócios no local

Empresários brasileiros embarcam, no próximo fim de semana, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para participarem da Gulfood – feira anual de bebidas e alimentos. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), que coordena a viagem, em 2014 foram fechados US$ 653 milhões em negócios. Para este ano, a expectativa é superar o volume em cerca de 10%. A feira começa no próximo domingo (8).

De acordo com o gerente executivo de Imagem e Acesso a Mercados da Apex, Rafael Prado, em função das especificidades do mercado de alimentos e bebidas no Oriente Médio, a agência de fomento procura selecionar para a feira empresas que já têm algum preparo para atuação na região do Golfo Pérsico. “É um mercado que requer certificação halal”, explica. O termo em árabe pode ser traduzido para lícito. Na prática, significa tratar os alimentos de acordo com as regras da religião muçulmana.

Uma das normas diz respeito ao abate de bovinos, por exemplo, que devem ser degolados ainda vivos e com o corpo voltado para a cidade de Meca. Rafael explica que outro cuidado das empresas deve ser a tradução das embalagens para o árabe e não só para o inglês. Ele informa, ainda, que no Oriente Médio há bastante receptividade aos doces brasileiros. “O mundo árabe consome muito doce, e o nosso paladar é bem apropriado [ao gosto deles]. Não é preciso adaptar a fórmula”, diz.

Um total de 72 empresas brasileiras participam da Gulfood, que vai até o dia 12. Uma delas é a mineira Maricota, produtora de pão de queijo e comida congelada no Brasil. Marília Espalaor, analista de comércio exterior da empresa, conta que, para Dubai, a Maricota exporta pão de queijo tradicional, recheado com requeijão e três queijos, além de chipa – biscoito à base de mandioca. De acordo com ela, a fabricação dos produtos é em conformidade com o halal.

“Todos os ingradientes utilizados têm que ser comprados de fornecedores certificados pela Câmara Árabe. Não é difícil [a adaptação], porque a gente possui linhas de produção diferentes. Toda vez que tem uma produção halal na empresa, a gente tem que parar, e tudo tem que ser higienizado para fazer só o lote deles. [O esforço] compensa, porque os Emirados têm ótimos clientes, são ótimos consumidores”, diz ela. Marília informa que a Maricota está em negociação para conquistar um novo cliente no Catar e mais um em Dubai, onde atualmente existe um representante da empresa.

Em 2014 o Brasil exportou US$ 68,13 bilhões em alimentos e bebidas, o equivalente a 70% do total de exportações do agronegócio. Desse montante, US$ 4 bilhões foram para países do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kwait, Catar, Bahrein e Omã. O Brasil é, ainda, o maior fornecedor de carne de frango para os Emirados Árabes Unidos.

Além da Apex, participam da organização da viagem a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Associação Nacional das Indústrias de Biscoitos (Anib), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).

Editor Stênio Ribeiro