Empresários propõem mobilização em favor do ensino de qualidade

Evento discute responsabilidade social na área da educação e oferece idéias como a formação de uma parceria entre governo e iniciativa privada

Além de educadores e representantes de instituições de fomento do ensino, cerca de cem empresários da América Latina participam entre hoje e amanhã da Conferência Ações de Responsabilidade Social em Educação. O evento é promovido em parceria pelo grupo Gerdau, pela Fundação Jacobs, da Suíça, e pela Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann. Além de Lemann e de Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do grupo Gerdau, participam do encontro David Feffer, do grupo Suzano, Luís Noberto Pascoal, da DPaschoal, Paulo Cunha, do grupo Ultra, e Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas.

Existem hoje no continente milhares de projetos sociais voltados ao ensino que são mantidos por empresas privadas. Uma das propostas da conferência é promover um intercâmbio entre os idealizadores dos projetos. A outra é disseminar a idéia de que é preciso realizar uma espécie de parceria na área do ensino, para que Estado e empresas possam trabalhar em conjunto no aprimoramento do ensino em toda a região. “Governo e iniciativa privada precisam trabalhar em conjunto”, diz Jorge Gerdau. “Como empresários, nós entendemos de técnicas de gestão e meritocracia, por exemplo, práticas ignoradas nas escolas, mas que são vitais para a sua sobrevivência.”

No Brasil, 4,3 milhões de crianças entre 4 e 14 anos e dois milhões de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Para complicar, os mais de 30 milhões de alunos da rede pública recebem educação de baixa qualidade. “Quando eu entro em uma empresa, olho a qualidade das pessoas. Um país também precisa de gente qualificada”, diz Lemann. “Se não atacarmos as deficiências da educação no Brasil, perderemos a corrida da competência no mundo globalizado.” Segundo dados divulgados na abertura da conferência, na noite desta quinta-feira (22/6), a cada 28 segundos um estudante entre 15 e 19 anos abandona a escola na América Latina.

Para reforçar o caráter de união de idéias, foram convidados para o evento representantes de governos e entidades de todo o continente. Entre os conferencistas e debatedores estão Enrique Iglesias, secretário-geral da Cúpula Ibero Americana, Fernando Reimers, da Harvard Graduate School, uma das instituições mais conceituadas do mundo, Paulo Renato de Souza, ex-ministro da Educação do Brasil, Julio Maria Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai e Sérgio Bitar, ex-minsitro da educação do Chile, país que promoveu uma das mais arrojadas reformas de ensino. A grande ausência do evento é Fernando Haddad, ministro da Educação, que participaria da cerimônia de abertura. “Quando começamos a organizar a conferência há três anos, procuramos muitas pessoas, inclusive Paulo Renato de Souza. Por causa disso, muita gente vê uma conotação política na conferência, mas isso não é verdade. Convidamos pessoas de todas as orientações políticas”, diz   Lemann. “A única coisa que posso dizer é que fico extremamente triste por não ver ninguém do governo aqui, pois acho que temos de trabalhar juntos.”