Empregos: um novo esqueleto

Na quarta-feira, o IBGE divulgou que o número de desempregados chegou a 11,4 milhões de pessoas no país. O número, o maior desde que a medição começou a ser feita, em 2012, deve ter um novo vetor para continuar piorando: o fim dos acordos de proteção ao emprego na indústria. A medida, tomada pelo governo Dilma Rousseff para tentar salvar empregos durante a crise, agora virou um fardo.

O caso mais latente dos problemas com a manutenção de empregos é o das montadoras de São Bernardo do Campo. Em 2015, três das cinco grandes montadoras do município – Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen – aderiram ao Programa de Proteção do Emprego (PPE). Com ele, poderiam cortar jornadas dos trabalhadores e reduzir em 20% o salário. Os funcionários aceitaram receber 10% a menos e o próprio governo pagou outros 10%. O acordo valia por seis meses e poderia ser renovado por mais seis – o que todas afirmaram à época que fariam.

Mas a crise bateu tão forte que fez com que as empresas voltassem atrás. Com exceção da Volkswagen, que renovou o acordo até outubro, a Mercedes, que teve o acordo encerrado dia 31 de maio, e a Ford, que encerra o acordo em 30 de junho, não devem cumprir o combinado. O volume de veículos novos vendidos no Brasil nos cinco primeiros meses de 2016 foi 26,6% menor do que em 2015. Maio teve o pior resultado em 10 anos.

Só na região do ABC paulista cerca de 25.000 trabalhadores estão em regime de PPE. Na Mercedes, 90% dos funcionários fazem parte do acordo. A montadora anunciou um plano de demissão voluntária e espera cortar até 2.000, dos 9.500 funcionários da fábrica. Empresas que não aderiram ao programa também ameaçam demitir. Um problema a mais a cair no colo do novo governo.