Embraer deve reportar um trimestre mais fraco, diz banco Safra

Assim como sua parceira Boeing, a fabricante brasileira deve divulgar balanço menos pujante; o motivo é a sazonalidade do período

São Paulo – Assim como sua parceira e maior fabricante de aviões do mundo Boeing, a companhia aérea Embraer deve anunciar números mais fracos no primeiro trimestre. O motivo, entretanto, é completamente distinto. Enquanto a americana enfrenta desafios relativos ao modelo 737 Max, envolvido em dois acidentes aéreos recentemente, a brasileira encara a sazonalidade do período provocada principalmente pela aviação executiva, que concentra as entregas no fim do ano. No fim da manhã desta quarta-feira, 24, as ações da Embraer caiam 0,52%, enquanto o Ibovespa recuava 1,12%. Já os papéis da Boeing subiam 1,32% na bolsa de Nova York.

De acordo com relatório do banco Safra, a Embraer deve divulgar, no dia 15 de maio, a entrega de 15 modelos comerciais ante os 33 entregues nos três últimos meses de 2018.

Já na aviação executiva, a companhia deve divulgar a entrega de 19 jatos, 17 a menos do que de outubro a dezembro de 2018 e oito a mais que no primeiro trimestre do ano passado.

“No que se refere à performance operacional, a continuidade da transição da família E2 deve impactar as margens operacionais, assim como a divisão de custos por causa da criação da joint venture com a Boeing”, escreve Lucas Marquiori, analista do Safra.

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O especialista espera que a receita líquida no trimestre alcance US$ 968 milhões, queda de 42% na comparação com o último trimestre de 2018 e de 2% ante o mesmo período do ano passado. É um número abaixo do consenso de mercado que projeta um faturamento de US$ 1,08 bilhão.

O Safra também prevê que a Embraer amplie o prejuízo líquido, passando de US$ 7 milhões de outubro a dezembro de 2018 para US$ 35 milhões. “De modo geral, vemos o primeiro trimestre mais fraco para a Embraer, e o mercado deve continuar de olho no acordo com a Boeing”, afirma.

Boeing

A Boeing anunciou na manhã desta quarta-feira, 24, queda de 13% no lucro líquido no primeiro trimestre de 2019, em relação a igual período do ano passado, a US$ 2,149 bilhões, ou US$ 3,75 por ação. Nos primeiros três meses de 2018, a empresa havia obtido lucro de US$ 2,477 bilhões, equivalente a US$ 4,15 por ação.

A receita recuou 2% na mesma base comparativa, de US$ 23,382 no primeiro trimestre de 2018 para US$ 22,917 nos três primeiros meses deste ano, próximo da expectativa de US$ 22,94 bilhões de analistas.

O resultado é um reflexo das menores entregas do modelo 737 Max, envolvido em dois acidentes nos últimos meses, mas parcialmente compensadas pelo maior volume de defesa e serviços, de acordo com a companhia.