Embraer cresce apesar da queda da demanda

A Embraer, quarta maior fabricante mundial de jatos comerciais e maior exportadora brasileira, registrou um faturamento de 6,8 bilhões de reais em 2001, um crescimento de 36% em relação ao ano anterior. O lucro teve um crescimento ainda maior, de 70%, e foi de 1 bilhão de reais, embora o pagamento e a entrega de aeronaves tenha se atrasado depois dos ataques terroristas ao World Trade Center, em setembro do ano passado.

A Embraer previa entregar 200 aviões em 2001 e entregou 161. “Conseguimos bons resultados financeiros porque não tivemos cancelamento de pedidos, mantivemos os preços das aeronaves entregues depois de setembro e tivemos um impacto positivo da desvalorização cambial”, disse Maurício Botelho, presidente da companhia, em apresentação a analistas e jornalistas na manhã desta terça-feira (26/3). Cerca de 70% da receita da Embraer veio de exportações.

A renegociação de prazos de entrega de aeronaves, no entanto, resultou em aumento de estoques. Os gastos com inventário representaram 1 bilhão de dólares no ano passado, e 574 milhões de dólares no ano anterior. As contas a receber aumentaram de 198 milhões de dólares em 2000 para 672 milhões de dólares em 2001. “As companhias aéreas tiveram dificuldade para conseguir financiamento em instituições financeiras”, disse Botelho. “A solução foi que nós mesmos renegociamos a forma de pagamento de aeronaves.” Os executivos da empresa esperam reverter esses indicadores negativos ainda no primeiro semestre deste ano.

Botelho também atribui os bons resultados financeiros a uma resposta rápida à queda da demanda depois dos ataques terroristas. Uma delas foi a demissão de 1 800 funcionários de um total de 13 000.

Os investimentos da Embraer, num total de 296 milhões de dólares em 2001, concentraram-se no desenvolvimento de tecnologia, que resultou no lançamento de duas novas aeronaves, a Embraer 170 e a 175. A empresa também abriu e ampliou instalações nos Estados Unidos, França e China. A mesma estratégia de expansão no exterior deve seguir neste ano. Em fevereiro último, adquiriu um centro de reparo em Nashville, nos Estados Unidos.

A Embraer, controlada pela Cia Bozano (20%), Previ (20%) e Sistel (20%), pretende entregar 220 aeronaves em 2002.