Em vez de acabar com boxe, UFC pretende usá-lo como salva-vidas

A enorme popularidade das artes marciais mistas do UFC pode colocar mais um prego no caixão do boxe?

Nova York – O boxe morreu. Mas isso não é novidade para ninguém. O público ouve essa mesma sentença de morte há anos. De acordo com o historiador do boxe Patrick Connor, a frase foi proferida pela primeira vez em 1899 por William Brady, agente do campeão dos pesos pesados James Jefferies.

Em 1961, Jack Dempsey soprou as velinhas de seu aniversário de 66 anos lamentando: “Sem novos profissionais, o boxe está morrendo”. Mesmo com a revanche entre Muhammad Ali e Sonny Liston marcada em Lewiston, Maine, em 1965, um desconcertado Rocky Marciano disse à imprensa: “Não me importo com o público da televisão. O boxe morreu”. O coro cresceu depois que Mike Tyson se aposentou em 2005. E mais um déjà vu aconteceu em 2017, depois que Floyd Mayweather Jr. se tornou o primeiro boxeador a ganhar um bilhão de dólares na luta contra Conor McGregor.

A mais nova causa da morte do boxe é o UFC. Dizem que a enorme popularidade das artes marciais mistas está colocando mais um prego no caixão do boxe. Fundada em 1993, a liga floresceu desde sua criação e, em 2016, foi comprada pela WME-IMG (agora Endeavor) por US$ 4,2 bilhões.

Dana White, o presidente de 48 anos da empresa que nunca deixa de brigar, alardeou que a popularidade do UFC poderia eclipsar não apenas o boxe, mas também a popularidade global da NFL (a NFL calcula ter ganhado US$ 14 bilhões em 2017). Thomas Gerbasi, diretor editorial do UFC desde 2005, está otimista. “Chegaremos longe”, diz ele. “Veja o histórico de Dana. Ele não é o tipo de pessoa que diz algo que não vai acontecer. Ele é um homem de palavra, e os resultados falam por si só.”

Mas, quando White anunciou no ano passado, logo depois da bem-sucedida luta entre Mayweather e McGregor, que o UFC entraria no boxe, isso confirmou o que muita gente do setor já sabia: sem novos profissionais, quem está morrendo é o UFC, não o boxe.

Thomas Hauser, autor de “Muhammad Ali: His Life and Times” e uma das figuras mais ilustres do boxe, diz: “A compra do UFC pela WME, por US$ 4,2 bilhões, está começando a parecer a decisão da Time Warner de se fundir com a AOL”. Kurt Emhoff, advogado esportivo da Kasowitz Benson Torres, é mais contundente: “Na pior das hipóteses, eles acabaram de comprar o Myspace”.

Esporte de velho

Ao contrário da percepção pública, o boxe sempre obtém índices de audiência mais altos que os do UFC e atrai mais espectadores no grupo demográfico de 18 a 49 anos.

Quase 2 milhões de pessoas sintonizaram para assistir ao campeonato de boxe peso-pena transmitido pela ESPN em dezembro, encabeçado por Vasyl Lomachenko e Guillermo Rigondeaux, no Madison Square Garden.

Foi a segunda maior audiência para o boxe em um canal a cabo básico desde 2012 e mais que o dobro do público da transmissão concorrente do UFC no FS1, que atraiu 870.000 espectadores.

Após o campeonato, Bob Arum disse a jornalistas: “O boxe não é um esporte de velho. Nosso público é jovem. Nós enfrentamos [o UFC] três vezes em um campo de jogo nivelado, e quando [o boxe] é gratuito, provamos nossa superioridade tanto na audiência geral quanto na faixa etária de público mais cobiçada”. A transmissão da luta entre Lomachenko e Rigondeaux foi a quarta vitória do boxe.

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