Eletropaulo: AES pode realizar oferta secundária de ações

A Eletropaulo afirmou que tem conhecimento de que a AES Corp está "avaliando alternativas em relação a seu investimento na companhia"

São Paulo – O grupo norte-americano AES indicou que deve se desfazer de sua participação na Eletropaulo, distribuidora de energia que atende a região metropolitana de São Paulo.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira, 28, pela empresa brasileira, a companhia afirma que tem conhecimento de que a AES Corp está “avaliando alternativas em relação a seu investimento na companhia, inclusive com a contratação de assessores financeiros e legais” e destaca que entre as alternativas estaria uma oferta pública secundária de ações.

A Coluna do Broadcast informou em janeiro que um sindicato formado pelos bancos JPMorgan, Bank of America Merril Lynch, Itaú BBA e Bradesco BBI foi contratado para trabalhar na oferta subsequente de ações da Eletropaulo, que deve envolver uma emissão primária e secundária.

O plano inicial da companhia era realizar a operação, com esforços restritos, em fevereiro, mas dificuldades para a Eletropaulo chegar a um entendimento com a Eletrobras sobre um acordo para encerrar uma disputa judicial bilionária fez a empresa postergar seus planos.

A Eletropaulo afirmou no comunicado divulgado nesta quarta que, não obstante tenha conhecimento de que a AES avalia alternativas, “não tem qualquer informação sobre se alguma decisão foi tomada pela AES Corp a esse respeito e informa que assim que obtiver maiores informações junto a AES Corp comunicará ao mercado”.

Adicionalmente, a distribuidora reiterou que tem avaliado a realização de uma oferta pública de distribuição de ações, dentre outras opções disponíveis para o financiamento de suas atividades, mas afirma que até o momento não há qualquer definição quanto à efetiva realização de uma oferta, tampouco sobre estrutura e volume.

A Eletropaulo decidiu realizar os esclarecimentos depois que executivos da AES Corp. comentaram durante teleconferência com investidores sobre a potencial venda da participação societária na Eletropaulo, que foi reclassificada no balanço do grupo como “operações descontinuadas”. Um analista questionou se tal reclassificação significava a intenção de vender o ativo e um executivo respondeu: “Sim. Eu não quero ser muito específico pois é uma companhia aberta, mas é algo do tipo – se pensar em operações descontinuadas você pode chegar à conclusão”.

A empresa norte-americana também informou, em seus resultados financeiros consolidados relativos a 2017, que a Eletropaulo gerou receitas de US$ 3,3 bilhões e receita líquida das operações de US$ 3 milhões.

A Eletropaulo esclareceu que as demonstrações financeiras de 2017 da companhia ainda estão em fase de elaboração e sujeitas às aprovações necessárias pelo seu conselho de administração e salientou que os resultados indicados pela AES Corp derivam de demonstrações financeiras do grupo norte-americano elaboradas sob os padrões contábeis norte-americanos (USGAAP).

“A AES Corp deixou de ser acionista controladora da companhia em 27 de novembro de 2017 e, desde então, a companhia não disponibiliza seus resultados em USGAAP à AES Corp; como consequência, os números divulgados pela AES Corp não refletem os resultados efetivos da Companhia no exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2017 conforme os padrões contábeis brasileiros”, afirmou.