Eletrobras concluirá contratação de empresa de investigação

Estatal está prestes a concluir a contratação de uma empresa que ficará responsável pela investigação de eventuais casos de corrupção dentro dela

São Paulo – O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eletrobras, Armando Casado de Araújo, disse, na tarde desta segunda-feira, 18, que a estatal está prestes a concluir a contratação de uma empresa que ficará responsável pela investigação de eventuais casos de corrupção dentro da Eletrobras.

O nome da estatal do setor elétrico passou a ser citado em investigações da Polícia Federal no último dia 25 de abril, após delação premiada feita pelo ex-presidente da construtora Camargo Corrêa.

“Estamos quase em fase de conclusão da contratação da empresa”, afirmou Casado em teleconferência com analistas e investidores, na tarde de hoje.

Segundo o executivo, o processo enfrenta alguma morosidade em função do cumprimento da lei de licitações do País. “Já abrimos três comissões de correição e o presidente da Eletronuclear também já pediu afastamento do cargo”, complementou Casado.

Além dos processos internos iniciados em função das investigações sobre os casos investigados na Operação Lava Jato, envolvendo construtoras e grandes obras do País, a Eletrobras intensificou a análise de procedimentos internos em empresas do grupo e em sociedades de propósito específico (SPEs) e obras nas quais a estatal participa e que foram mencionadas nas investigações.

Estão no foco dos trabalhos internos da estatal cinco projetos, segundo Casado: Belo Monte, Jirau, Teles Pires, Santo Antonio e Angra 3.

Este último projeto é aquele considerado mais delicado, uma vez que o ex-presidente da Camargo Corrêa indicou que, no processo de construção da usina, haviam ocorrido negociações para pagamento de supostas propinas a funcionários da Eletronuclear, incluindo o presidente Othon Luiz Pinheiro da Silva.

Atraso

Em função dos fatos novos divulgados após a publicação do balanço de 2014, no final de março, a Eletrobras foi obrigada a adiar a entrega do relatório anual do Formulário 20-F à Securities and Exchange Commission (SEC).

O arquivamento do material relativo ao exercício de 2014 deveria ter ocorrido até o dia 30 de abril, mas a companhia pediu a postergação do prazo até o dia 15 de maio. O prazo foi novamente descumprido.

Casado evitou fazer uma projeção de quando a Eletrobras conseguirá arquivar o formulário 20-F.

Questionado por uma analista se o não cumprimento de prazo poderia implicar no acionamento de alguma cláusula associada a dívidas contraídas, Casado disse que não há nenhum covenant da empresa vinculado ao 20-F.

Além da citação de empresas do grupo Eletrobras nas investigações iniciadas na Operação Lava Jato, a companhia justificou o atraso em função de um dos auditores independentes da SPE Energia Sustentável do Brasil Participações (Jirau) ter dito não se considerar independente de acordo com as regras em vigor nos Estados Unidos.

Somente após o início do trabalho de investigação interna por uma empresa independente é que a Eletrobras poderá dimensionar a real necessidade de realizar um ajuste contábil semelhante àquele feito pela Petrobras no balanço de fechamento de 2014. No caso da estatal de petróleo, houve um ajuste superior a R$ 6 bilhões.

A Eletrobras apenas cita nas notas explicativas relativas ao primeiro trimestre de 2015 que, em relação a Angra 3, foi reconhecida uma perda de R$ 1,090 bilhão por redução ao valor recuperável, conhecida como impairment.

Não fica claro, contudo, se parte desse número teria qualquer relação com as investigações da Polícia Federal.