Eike ganha fôlego novo com resgate liderado pela Pimco

A empresa petrolífera do brasileiro receberá o primeiro pagamento de um plano de resgate já nesta semana

Rio de Janeiro, São Paulo e Nova York – A empresa petrolífera de Eike Batista receberá o primeiro pagamento de um plano de resgate já nesta semana, disseram duas fontes com conhecimento da transação, dando um fio de esperança de recuperação de parte de seu valor à empresa que protagonizou o maior desastre da dívida corporativa da América Latina.

A Óleo Gás Participações SA, empresa com sede no Rio de Janeiro conhecida como OGpar, descumpriu a meta de fevereiro, de garantir a primeira parcela de US$ 125 milhões oriundos de fundos prometidos por bancos como Pacific Investment Management Co.

O pagamento provavelmente será feito na semana que vem, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque o processo é privado.

A produtora, que pediu proteção contra falência em outubro, está contando com o dinheiro para pagar US$ 65 milhões em empréstimos que vencem neste mês.

Sem o dinheiro, a OGpar enfrentaria o fechamento, disse a empresa em seu plano para sair da situação de falência, apresentado a um tribunal do Rio no dia 14 de fevereiro. As notas da empresa, antes conhecida como OGX, caíram 93 por cento nos últimos 12 meses.

“Esse financiamento permitiria que a empresa continuasse com operações e com sua estratégia judiciária”, disse Leonardo Theon de Moraes, advogado especializado em falências da Mussi, Sandri Pimenta Advogados, por telefone, de São Paulo. “Se isso acontecer, será positivo porque a empresa será capaz de cumprir seu plano de recuperação”.


Concluindo termos

A OGpar e a holding de Batista, a EBX Group Co., preferiram não comentar o programa de pagamentos quando procuradas pela Bloomberg News. A porta-voz da Pimco, Agnes Crane, não respondeu a pedidos por comentários quando procurada por telefone e e-mail.

A produtora está concluindo os termos exigidos para receber a parcela, disse ontem uma das fontes. Entre os motivos para o atraso estão a burocracia brasileira e discussões com assessores para reduzir os pagamentos da taxa inicial, disse a outra fonte.

A empresa petrolífera, cuja situação de caixa no começo de fevereiro era de US$ 1 milhão, precisa reembolsar um empréstimo-ponte de US$ 50 milhões no dia 14 de março e um crédito de curto prazo de US$ 15 milhões no dia 29 de março, segundo seu plano de recuperação.

A OGpar disse no dia 7 de fevereiro que receberá US$ 215 milhões em financiamento após selar um acordo de devedor em posse com seus principais credores em troca de uma participação controladora, com a primeira parcela prevista para meados de fevereiro.

Para receber o financiamento a OGpar precisa cumprir condições como sustentar níveis mínimos de produção em seu único campo de petróleo produtivo e chegar a acordos com terceiros, como a empresa-irmã OSX Brasil SA, a respeito da locação de um navio de produção, segundo os termos divulgados pela empresa no dia 13 de fevereiro.


A companhia, que investiu mais de R$ 10 bilhões desde sua fundação, em 2007, pediu proteção contra os credores em outubro após descumprir um pagamento de juros de US$ 45 milhões.

Tubarão Martelo

Para que seu plano de recuperação funcione, a OGpar também precisa ser bem-sucedida em Tubarão Martelo, um novo campo a 95 quilômetros da costa do Rio.

Tubarão Martelo rendeu uma média de 11.350 barris por dia em janeiro após iniciar a produção no início de dezembro, segundo informações de seu site. A empresa também está realizando testes no campo de Tubarão Azul, próximo dali, para avaliar a retomada da produção.

Receber a primeira parcela do financiamento devedor em posse dá à empresa algum fôlego, disse Russell Dallen, operador-líder da Caracas Capital.

“Eles ainda têm que vender ativos e aumentar a produção em Tubarão Martelo”, disse ele, por telefone, de Miami. “Eles conseguiram alguns meses mais para se organizarem e não é de todo certo que serão capazes de fazê-lo”.