Eike contesta pedido de US$ 1 bi da OGX e fala em “conflito”

Em carta enviada à OGX, Eike afirma que pode recorrer a uma câmara de arbitragem para tratar de exigência da empresa

São Paulo – Se depender de Eike Batista, não será tão fácil para a OGX receber o 1 bilhão de dólares que a companhia exigiu do empresário nesta sexta-feira. Em carta à direção da OGX, Eike indica que pode recorrer a uma câmara de arbitragem para evitar o aporte de dinheiro.

Na carta, Eike confirma que foi informado pela OGX da decisão da diretoria de exigir o aporte de recursos. O fundador e controlador da OGX afirma, porém, que o comunicado da empresa serve como “notificação de conflito, nos termos do contrato”.

Desde que foi divulgada decisão da diretoria da OGX de exercer o acordo de outubro de 2012, conhecido tecnicamente como “put”, surgiram rumores de que Eike não aceitaria aportar mais dinheiro na companhia. Seu argumento é que as condições da OGX mudaram muito desde a assinatura do contrato.

Um exemplo é o valor pelo qual Eike deveria comprar as ações da OGX: 6,30 reais por papel. A cifra é 15 vezes maior que os 41 centavos de real com que as ações ordinárias da empresa fecharam o pregão de sexta-feira na Bovespa.

Câmara de arbitragem

“Dessa forma, decorridos 60 (sessenta) dias sem a resolução da disputa a respeito da validade do exercício da PUT, será instaurado procedimento arbitral no âmbito da Câmra de Arbitragem do Mercado, consoante estabelecido no próprio contrato”, prossegue Eike na carta à direção da OGX.

Na carta, o dono da OGX afirma que está se resguardando “no sentido de questionar as circunstâncias, a forma, o conteúdo, a validade e os demais aspectos legais do pretendido exercício da opção”.

Desde sexta-feira, quando a OGX divulgou sua decisão de exigir novos recursos de Eike, o mercado se pergunta se Eike tem mesmo dinheiro para bancar outro aporte. Afinal, tanto a Bloomberg, quanto a Forbes, afirmam que ele deixou de ser bilionário em dólares. Na avaliação mais otimista, da Forbes, Eike possui agora “menos de 900 milhões de dólares”.

Além disso, boa parte de seu patrimônio é composta por ações das companhias que fundou – e elas estão valendo cada vez menos na bolsa, diante da forte crise de credibilidade que enfrentam.