O que aprendi vendendo minha primeira empresa

José Carlos Semenzato é fundador da SMZTO, holding de franquias setoriais e investidor do Shark Tank Brasil

 

Ninguém monta uma empresa do zero com o intuito de vendê-la logo a seguir. Em regra, quem empreende busca antes de mais nada tornar o negócio viável e lucrativo. Se mais adiante o negócio vier a ser bem-sucedido e, em razão disso, atrair a atenção de interessados, bem, aí já é outra história. E foi exatamente isso o que aconteceu em 2010, quando vendi a Microlins. Na época, a empresa somava 700 franquias e mais de meio milhão de alunos em todo o país, números que, claro, a colocaram sob os holofotes do mercado, despertando o olhar de investidores.

Resultado: recebi uma proposta de compra equivalente a 16 vezes o lucro anual da rede. E não resisti. Por não ser da minha natureza a busca por compra e venda de empresas, minhas grandes motivações para a transação foram, sem dúvida, o montante oferecido e o desejo que eu tinha, naquele momento, de fechar para balanço e iniciar uma nova fase – um pouco depois, no mesmo ano, criei a SMZTO Holding de Franquias Multissetoriais, mas isso é tema para outro artigo.

Além de me dar tempo e garantir certa tranquilidade para pensar nos passos que daria a seguir, o crescimento – que culminou com a venda – da Microlins me trouxe vários ensinamentos. Uma das coisas que percebi foi que, depois de atingir certo porte – algo em torno de R$ 10 milhões de lucro anuais, com perspectiva de crescimento orgânico –, é comum que uma empresa se torne alvo de fundos de investimento interessados em adquiri-la, no todo ou em parte.

Mas creio que o primeiro grande aprendizado de todo o processo começou a se desenhar dois anos antes da venda propriamente dita. Em 2008, busquei um fundo de private equity para a compra de uma participação minoritária. Naquele momento, a ideia era apenas melhorar a governança do negócio, e a venda do controle acionário sequer passava pela minha cabeça. Na minha estratégia, fiz uma rodada de negociação no mercado, na qual restaram três fundos finalistas. E, entre eles, escolhi o que melhor se encaixava no perfil que eu imaginava para a Microlins.

Esse processo resultou na melhoria de uma gestão que já era competente, o que acabou por catapultar a empresa a um patamar onde se tornou simplesmente impossível ela não ser vista (e cobiçada!) por potenciais investidores. Além de líder no setor no qual atuava, a Microlins tinha capilaridade nacional, com forte geração de caixa – e números impressionantes, como os mencionados no começo do texto. Um negócio consolidado e pujante. Noutras palavras, um prato cheio para investidores.

Mas, por mais incrível e contraditório que possa parecer, mesmo com tudo tendo dado tão certo – do fortalecimento e da venda da Microlins até a criação da SMZTO –, eu não repetiria a mesma fórmula. Se você, amigo empreendedor, se encontra na posição em que eu estava em 2010, sugiro que faça o que eu digo – e não o que eu fiz na época: contrate uma assessoria de M&A (sigla em inglês para “mergers and acquisitions”, ou fusões e aquisições, em português).

Uma consultoria nesta área tem todos os elementos que irão te ajudar na escolha do melhor fundo.
Eu tive a sorte de ter conseguido vender – e bem, sem sobressaltos – sem uma assessoria. Mas, acredite, não recomendo e nem pretendo fazer novamente como na primeira vez.