Médicos orientam sobre a UCE (Urticária Crônica Espontânea), doença que atinge 1,4 milhão de brasileiros

A UCE é uma doença que acomete mais de 1 milhão de brasileiros — até 1% da população mundial2,10 – mas ainda pouco diagnosticada3,11. Por isso, uma ação recente levou para a rua grupos uniformizados com material informativo e convidou médicos para explicarem como se manifesta essa doença.

A UCE se manifesta com lesões avermelhadas que formam placas elevadas na pele (urticas) e coçam a ponto de a pessoa não conseguir manter suas atividades diárias, como trabalhar, estudar ou até mesmo dormir4,5,6,7. A UCE muitas vezes também se manifesta com inchaço dolorido em partes do corpo (angioedemas), que podem ou não ser acompanhados da coceira. As manchas, associadas à coceira, desaparecem em até 24h sem deixar marca, reaparecendo em outras áreas da pele, dando uma sensação de que estão andando pelo corpo.

Quando esse surgimento de urticas e/ou angioedema ultrapassa seis semanas, estamos diante do que os médicos classificam como uma urticária crônica e, em aproximadamente 66% dos casos, trata-se de uma Urticária Crônica Espontânea (sem um gatilho externo para seu surgimento, assim como outras doenças autoimunes7).  Facilmente confundida com alergia, boa parte dos pacientes levam anos até que um médico especialista (geralmente alergista ou dermatologista) identifique a UCE3.

Alguns dos médicos entrevistados durante essa ação explicam mais sobre a doença.

Em Belo Horizonte, a entrevistada foi a médica Ana Lyon:

Em Curitiba, as entrevistadas foram as médicas Tsukiyo Kamoi e Giorgia Milani:

Em Vitória, a entrevistada foi a médica Paula Perini:

No Rio de Janeiro, a entrevistada foi a médica Solange Valle:

Em Ribeirão Preto, a entrevistada foi a médica Karla Arruda:

Grande parte dos pacientes relatam que levam anos para chegarem a um diagnóstico correto e, em razão disso, 67% dos pacientes desistem de procurar um médico9. Enquanto não são diagnosticados com a doença, muitos pacientes são medicados erroneamente com corticoides, analgésicos e anti-inflamatórios e voltam repetidas vezes em pronto-atendimentos que não resolverão o problema8. O tratamento correto inicial é feito com anti-histamínicos não sedantes (2ª geração) e, para pacientes que não chegam ao controle completo da doença (pele sem lesões e sem coceira), associa-se um medicamento imunobiológico disponível no Brasil7.

Quem tem sintomas recorrentes parecidos com uma alergia, que parecem surgir do nada, precisa antes de tudo buscar médicos especialistas (alergista ou dermatologista). Há também médicos e centros de excelência de UCE (UCARE) no mundo todo, inclusive no Brasil, como a Faculdade de Medicina do ABC, Hospital das Clínicas, Hospital São Paulo e outros, que podem ser consultados em: http://www.ga2len-ucare.com/centers.html. Mais informações sobre a UCE também estão disponíveis em www.tudosobreuce.com.br.

Referências
1 – Silvares MR, Fortes MR, Miot HA. Quality of life in chronic urticaria: a survey at a public university outpatient clinic, Botucatu (Brazil). Rev Assoc Med Bras (1992). 2011 Sep-Oct;57(5):577-82
2 – Maurer M, et al. Allergy 2011;66:317–30
3 – Maurer M, Staubach P, Raap U, Richter-Huhn G, Bauer A,Ruëff F, Jakob T, Yazdi AS,Mahler V, Wagner N, Lippert U, Hillen U, Schwinn A, Pawlak M, Behnke N, Chaouche K, Chapman-Rothe N. H1-antihistaminerefractory chronic spontaneous urticaria: it’s worse than we thought – first results of the multicenter real-life AWARE study. Clin Exp Allergy. 2017 May;47(5):684-692.
4 – Kang MJ, Kim HS, Kim HO et al. The impact of chronic idiopathic urticaria on quality of life in korean patients. Ann Dermatol 2009;21:226–9.
5 – Maurer M, Weller K, Bindslev-Jensen C et al. Unmet clinical needs in chronic spontaneous urticaria. A GA²LEN task force report. Allergy. 2011 Mar;66(3):317-30
6 – Silvares MR, Fortes MR, Miot HA. Quality of life in chronic urticaria: a survey at a public university outpatient clinic, Botucatu (Brazil). Rev Assoc Med Bras (1992). 2011 Sep-Oct;57(5):577-82
7 – Zuberbier T, Aberer W, Asero R et al. The EAACI/GA²LEN/EDF/WAO Guideline for the Definition, Classification, Diagnosis and Management of Urticaria. The 2017 Revision and Update. Allergy. 2018 Jan 15.
8- Maurer M, Abuzakouk M, Bérard F, et al. The burden of chronic spontaneous urticaria is substantial: Real-world evidence from ASSURECSU.Allergy. 2017 Dec;72(12):2005-2016.
9 – Maurer M, Staubach P, Raap U et al. ATTENTUS, a German online survey of patients with chronic urticaria highlighting the burden of disease, unmet needs and real-life clinical practice. Br J Dermatol 2016 Apr;174(4):892-4.
10 Kaplan AP. Therapy of chronic urticaria: a simple, modern approach. Ann Allergy Asthma Immunol. 2014 May;112(5):419-25
11 Młynek A, Zalewska-Janowska A, Martus P, Staubach P, Zuberbier T, Maurer M. How to assess disease activity in patients with chronic urticaria? Allergy. 2008 Jun;63(6):777-80.