Gerando Falcões recebe investimentos de líderes empresariais para criar a maior rede de ONGs do Brasil

Inconformado com a realidade ao seu redor, o empreendedor social Edu Lyra criou em São Paulo uma das organizações sociais mais inspiradoras do país.

Hoje ele recebe o apoio dos empresários Jorge Paulo Lemann, Carlos Wizard, Flávio Augusto e Daniel Castanho para expandir seu trabalho transformador para diversos estados do Brasil.

 

Nascido numa favela em Poá, na grande São Paulo, Edu Lyra sempre foi um jovem inquieto. Com poucas oportunidades de educação e trabalho na região, decidiu agir por conta própria e fundou, em 2011, a ONG Gerando Falcões, que tem como foco levar educação para famílias por meio da cultura, do esporte, da qualificação profissional e da geração de renda.

Desde então, o trabalho do empreendedor social tem sido reconhecido pelo impacto transformador na vida de milhares de jovens. Seu projeto chamou a atenção de quatro renomados empresários brasileiros, que decidiram investir na iniciativa com o propósito de expandi-la para outras comunidades de baixa renda. A proposta é replicar o modelo operacional de sucesso realizado em Poá e criar a maior rede de ONGs em favelas no Brasil.

Carlos Wizard Martins, empresário dono de várias marcas, como Topper, Mundo Verde, Taco Bell Brasil e Aloha; Daniel Castanho, presidente da Ânima, um dos maiores grupos privados de educação do país; Flávio Augusto, fundador da rede de escolas de idioma Wise Up e Orlando City e Jorge Paulo Lemann, empreendedor e investidor de empresas como Kraft Heinz e Ambev, são os investidores desta etapa de expansão.

O objetivo é abrir nove unidades do projeto nos próximos cinco anos (próprias ou em parceria com ONGs que precisem de apoio financeiro, gestão e metodologia) e formar a rede “Gerando Falcões”. Entretanto, o propósito é atrair novos investidores para tornar o projeto ainda maior.

Já em janeiro serão iniciadas as atividades para a abertura de duas novas unidades, uma na Favela da Vila Prudente, na cidade de São Paulo, e outra na favela do Vegel, em Maceió, capital de Alagoas. A expansão utiliza processos de negócios tradicionais de franquias, mas com o conceito de rede, focada em gestão de pessoas e líderes. No médio prazo, também serão usadas plataformas digitais de aprendizado, para qualificar líderes de favelas do Brasil inteiro.

Flávio Augusto, investidor do projeto desde 2011, tem acompanhado de perto o trabalho desenvolvido pela Gerando Falcões. Para ele, a iniciativa de expansão  é essencial para que o modelo seja replicado de forma eficiente e que traga resultados para outras comunidades brasileiras.

“Acompanho a ONG desde o início. O trabalho desenvolvido é extremamente sério e comprometido com as comunidades. Replicá-la será uma forma de dar oportunidades para outras milhares de famílias que vão ter acesso a uma iniciativa que, de fato, funciona”, comenta o investidor

Um dos maiores especialistas brasileiros no mercado de franquias, Carlos Wizard reforça a seriedade do Gerando Falcões e elogia a iniciativa de expansão nacional do projeto. “Conheci o Edu Lyra e a Gerando Falcões por meio de uma parceria fechada com um de meus negócios, a Aloha, e pude constatar o potencial que o projeto tem de transformar a vida de pessoas carentes. Tenho certeza que o lançamento do projeto de expansão, com o apoio de todos os envolvidos, será um divisor de águas para a Gerando Falcões”.

O projeto para abertura de novas unidades foi conduzido pela área de Cidadania Corporativa da Accenture no Brasil, com colaboração da consultoria especializada em franquias Cherto. Durante mais de quatro meses foram construídos, de forma pró-bono, a estratégia e os processos da expansão da ONG. “O objetivo era apresentar um novo modelo operacional ao Gerando Falcões, que permitisse sua expansão e pudesse ampliar seu impacto social”, explica Leonardo Framil, CEO da Accenture para Brasil e América Latina. Segundo o executivo, uma das principais motivações para a Accenture fazer parte da iniciativa foi a possibilidade de criar uma referência positiva, que pudesse inspirar outros empreendedores sociais e empresas a colaborarem na busca de melhores caminhos para o Brasil.

“Para alguém que teve o pai preso e a rede de networking se limitava aos meus amigos da comunidade, colocar na mesma mesa quatro dos maiores empresários do País é um sinal de que as coisas mais impossíveis desta vida podem se tornar realidade”, comenta Edu Lyra, que em 2014 saiu na lista da Revista Forbes, entre os jovens mais influentes do País, abaixo dos 30 anos.

O idealizador do Gerando Falcões explica ainda que o envolvimento dos empresários vai além do quesito financeiro. “Os quatro inspiram o Brasil de uma forma muito poderosa e não seria diferente desta vez. Eles estão envolvidos intelectualmente com o Gerando Falcões como mentores e orientadores do nosso trabalho”, diz.

A expansão do projeto, segundo ele, partiu de uma provocação feita por Jorge Paulo Lemann durante uma mentoria. “Eu pedi um conselho e ele me disse: ‘Encontre outros Edus’. O Jorge Paulo me provocou a sonhar grande e a dar escala ao Gerando Falcões, foi aí que o plano de expansão teve início”, explica Edu Lyra. “Na sequência, tive a oportunidade de estudar liderança em Harvard, por meio de bolsa de estudos, durante dois meses e, quando voltei, avançamos no projeto de expansão”.

 Os investimentos serão usados para formação da equipe de profissionais que irão gerir as novas unidades, além da criação da estrutura necessária para atender os alunos. A área de expansão será tocada pelo líder social, Leamestro, que foi promovido para o novo cargo. Ele atuava como diretor de Cultura do Gerando Falcões. Também foi criado um comitê de gestão e transformação para acompanhar e dar apoio ao projeto, com relevantes nomes do mercado, como Silvio Genesini, que foi presidente da Oracle no Brasil e Grupo Estado.

Para saber se os investimentos estão sendo bem empregados, os empresários irão acompanhar uma série de indicadores que medem os impactos do Gerando Falcões, criados em parceria com a área de Gente e Gestão da Ambev, que fez uma consultoria de gestão durante 2017 na ONG. Número de jovens atendidos; jovens formados pelo Gerando Falcões; jovens atuantes no mercado de trabalho com a ajuda do projeto e ainda a capacidade das unidades de serem alto sustentáveis são alguns exemplos. Em 2017, por exemplo, a ONG movimentou mais de meio milhão de reais na criação de novos empregos para jovens da comunidade e na recolocação de egressos do sistema penitenciário do mercado de trabalho.

“O Gerando Falcões desenvolve o autoconhecimento, a auto-estima, a sensibilidade para olhar o mundo de outra forma. É um projeto que cria condições para que milhares de jovens e crianças possam sonhar, acreditar em si mesmos e serem protagonistas de suas próprias histórias. Queremos agora ajudá-lo a ganhar escala e atuar para transformar nosso país”, afirma Daniel Castanho.

 Networking

A rede de relacionamentos com empresários renomados teve início há cinco anos quando Edu Lyra foi procurado por acionistas do Itaú, Patrícia e Ricardo Vilella Marino, que, ao estudarem o Gerando Falcões, decidiram fazer um investimento semente – aportes feitos em projetos que estão em fase de desenvolvimento inicial.

A partir deste momento, e com a ajuda destes primeiros apoiadores, o contato com empresários passou a crescer e a se disseminar.  “Neste processo, aprendi, com os diversos profissionais que conheci, a levar algo fundamental para o projeto: a gestão, o que certamente contribuiu para estes empresários olhassem a iniciativa como um projeto sério e que realmente é eficaz nos resultados”, conclui Edu Lyra.

O Gerando Falcões tem hoje mais de 20 programas em andamento, como aulas de pintura, teatro, percussão, coral, tênis, boxe, futsal para crianças e adolescentes. Além de aulas de logística, vendas, empreendedorismo, inglês e programação para jovens de periferias e favelas. Conta com mais de 40 colaboradores. E é auditada pela KPMG.

Como tudo começou

Edu Lyra viveu a infância dentro de um barraco, numa favela em Guarulhos, SP. O pai ingressou no crime e foi parar na prisão. A mãe foi o contraponto da história, que o inspirou a sonhar, dizendo: “Filho, não importa de onde você vem, mas, sim, pra onde vai”. O suficiente para que Edu se tornasse jornalista, autor do livro Jovens Falcões, um dos roteiristas do filme “Na Quebrada” e empreendedor social. Edu foi selecionado pelo Fórum Econômico Mundial, como 1 dos 15 jovens brasileiros que podem mudar o mundo, fazendo parte do Global Shapers. Saiu na Lista da revista Forbes Brasil entre os 30 jovens mais influentes do País, com menos de 30 anos. Recebeu o prêmio Jovem Empreendedor do ano pelo LIDE. E foi eleito Paulistano Nota 10 pela revista Veja. Além de ter sido escolhido um dos “Rebeldes com Causa”, pela grife Reserva.