Do topo ao declínio: o comando de Graça Foster na Petrobras

Graça Foster entrou na companhia como estagiária, aos 24 anos, e conquistou espaço até ocupar a liderança da maior empresa do país

São Paulo – Quando Graça Foster assumiu o comando da Petrobras, em 2012, existia uma grande expectativa sobre seu trabalho e a companhia, dentro e fora do país.

Naquele ano, Graça fora eleita a terceira mulher mais poderosa do mundo dos negócios pela revista Forbes, e um dos três brasileiros mais influentes do mundo, ao lado de Dilma Rousseff e Eike Batista.

Agora, Graça se despede de uma maneira conturbada do comando da maior companhia do país, onde trabalhou por mais de 30 anos.

Sua saída está atrelada aos escândalos que assombraram a petroleira durante o ano, com a chamada Operação Lava Jato.

A executiva já havia sinalizado de que deixaria o comando da Petrobras assim que começaram as denúncias.

Recentemente, Graça colocou seu cargo à disposição da presidente Dilma Rousseff e, na ocasião, disse que a Petrobras era mais importante que seu emprego e os de outros diretores da empresa.

Graça entrou na Petrobras como estagiária, aos 24 anos, e passou por diversas funções antes de se tornar a primeira mulher a presidir a companhia estatal.

Chegou ao topo da hierarquia depois de um excelente trabalho no comando das operações de gás e energia.

Foi mérito de Graça, por exemplo, reverter o prejuízo de 1,4 bilhão de reais que a área havia registrado em 2007 para um lucro de 2,6 bilhões de reais, em 2011.

No último dia 30, ela recebeu o prêmio máximo da Sociedade Mundial dos Engenheiros de Petróleo, por sua contribuição inegável para o setor. Foi a primeira vez que um profissional brasileiro recebeu a homenagem.

Grande promessa

Formada em engenharia química, com mestrado em engenharia nuclear, Graça Foster tem conhecimento técnico de boa parte das operações da estatal, o que a ajudou a chegar à presidência da empresa.

O mercado recebeu a notícia de que assumiria o posto, até então o mais cobiçado do país, com otimismo.

Seu estilo de gestão mais técnico e menos político poderia significar, na teoria, mais flexibilidade na tomada de decisões.

Como meta, Graça recebeu a missão de dobrar o tamanho da empresa. Em 2012, durante um evento, ela afirmou que queria colocar uma Petrobras em cima da outra até 2020.

“Nossa produção de petróleo vai dobrar, nossa oferta de gás no mercado vai dobrar e nossa capacidade de refino também dobrará nos próximos anos”, disse Graça, na ocasião.

Graça Foster não cumpriu o que prometeu.

Agora sua missão maior será a de reverter sua imagem e voltar a ser a executiva que um dia foi considerada uma das mais poderosas do mundo.