Do áudio ao dólar: os problemas no caminho da JBS

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está apurando se os controladores do grupo lucraram com operações com dólar e ações da JBS no mercado financeiro

Já faz mais de um ano que Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, causou um terremoto no país ao gravar uma conversa com Michel Temer no Palácio do Jaburu. Mas a sombra do episódio continua pairando sobre o grupo, que divulga seus resultados do segundo trimestre de 2018 hoje, após o fechamento da bolsa.

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Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu mais uma investigação contra Joesley, que até maio de 2017 era o presidente do conselho de administração do JBS, e contra seu irmão Wesley Batista, anteriormente presidente do grupo. O órgão que fiscaliza as empresas de capital aberto está apurando se os controladores do grupo lucraram com operações com dólar e ações da JBS no mercado financeiro antes de a informação sobre a existência da gravação de Temer se tornar pública.

O processo anunciado na semana passada, o nono contra o frigorífico e seus executivos no âmbito do escândalo com o presidente, lembrou o mercado financeiro de que o caso ainda está longe do fim – e pode trazer mais prejuízos para a JBS. Em agosto, a ação do grupo já caiu 5%, fechando ontem a 8,69 reais, enquanto o Ibovespa, principal índice acionário da B3, acumula baixa de 1,8%, aos 77.496 pontos.

Do lado das operações, as notícias não são melhores para o frigorífico dos Batista. O setor está entre os mais afetados pela greve dos caminhoneiros, no final de maio. E os balanços de concorrentes já divulgados nesta temporada – Minerva e BRF – mostraram que os investidores desta vez estão vendo com maus olhos o que costuma ser encarado como fator positivo a influenciar os resultados do segmento: o dólar.

A tendência de alta da moeda americana, acentuada nos últimos três meses, tem alimentado expectativas de aumento de receita para essas empresas, que exportam bastante, porém também significa que a sua dívida tende a ficar mais pesada. No JBS, 95% da dívida – que no final do primeiro trimestre estava em 45,5 bilhões de reais – é denominada em dólar. “Nesse cenário, as companhias globais precisam ter competência para administrar receitas e despesas. É o que será observado no balanço do JBS”, diz Pedro Galdi, analista da corretora Mirae Asset.

A XP Investimentos estima que as receitas do frigorífico tenham registrado um aumento de 6,9% no período de abril a junho deste ano ante o mesmo intervalo de 2017, para 44,5 bilhões de reais. A expectativa da corretora para o EBITDA (ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é de queda de 12,9%, para 3,28 bilhões de reais.

Como o dólar pode continuar avançando se a crise dos emergentes desencadeada pela Turquia piorar e se a tensão com as eleições presidenciais no Brasil aumentar, a JBS deve continuar sob pressão nos próximos meses.