Dívida da Petrobras deve passar de US$ 100 bilhões até 2018

O valor é 35% maior do que seu valor de mercado hoje, de R$ 165 bilhões

Rio – A dívida líquida da Petrobras deverá passar de US$ 100 bilhões até 2018 (R$ 223 bilhões), 35% maior do que seu valor de mercado hoje, de R$ 165 bilhões. A captação de US$ 8,5 bilhões com investidores internacionais anunciada na segunda-feira, 10, em parte contribuirá para a alta.

O endividamento da Petrobras é o maior entre as grandes petroleiras do mundo e o crescimento dele, para financiar o pesado programa de investimento, é uma das principais preocupações de analistas e investidores.

Apesar disso, os mais de US$ 13,5 bilhões já captados neste ano não fizeram agências classificadoras de risco alterar a avaliação sobre a empresa.

Elas acreditam que, até certo grau, o governo respaldará a companhia em caso de necessidade. “Embora os indicadores de crédito tenham se deteriorado, eles permanecem compatíveis com as expectativas da Fitch”, afirmou a agência em relatório.

Além disso, o impacto final das captações não será integral, pois parte das dívidas da empresa será rolada. O maior aumento ocorreu no ano passado, quando a dívida subiu US$ 22,3 bilhões, uma alta de 30,8% em apenas 12 meses.

Agora, o crescimento vai desacelerar. A dívida líquida da Petrobras vai crescer por ano, até 2018, cerca de 20 vezes menos do que cresceu no ano passado. Em média, US$ 1,1 bilhão ao ano.

Novo plano

Segundo o novo plano de negócios quinquenal da Petrobras (2014-2018), US$ 60,5 bilhões serão levantados em dívida bruta até 2018. Os US$ 8,5 bilhões captados fazem parte dessa conta.


No mesmo período, US$ 54,9 bilhões serão amortizados, restando um aumento da dívida líquida de US$ 5,6 bilhões até 2018, em relação aos US$ 94,6 bilhões de dezembro de 2013.

A Fitch já espera que os indicadores de crédito da companhia deverão se enfraquecer nos próximos dois a três anos, por causa de seu agressivo programa de investimentos e do prejuízo com importação de combustíveis. O grau de investimento está mantido.

Para a S&P, a nota da companhia reflete a “visão de que há uma probabilidade ‘muito alta’ de o governo brasileiro prover suporte extraordinário tempestivo e suficiente à empresa no caso de estresse financeiro”.

A Moody’s vai no mesmo sentido. A agência agrega que os ratings podem ser rebaixados caso o crescimento da produção fique abaixo das metas ou em caso de progresso limitado no ajuste e obtenção de flexibilidade no programa de capital, se a alavancagem financeira aumentar e for sustentada com indicador dívida/Ebitda acima de 4 vezes.

Em dezembro, o indicador estava em 3,52 vezes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.