Disney prepara-se para assumir franquia da Marvel no Brasil

Empresa espera que, a partir de setembro, a convivência entre o Homem-Aranha e o Mickey aumentem os negócios

São Paulo – A impressão que se tem quando se entra na sede da Disney no Brasil, em um andar do edifício comercial WTC, na capital paulista, é de que a porta para um universo lúdico acaba de se abrir. Imagens do Mickey, Pateta e Pluto, entre outros personagens da marca em tamanho grande, estão espalhadas por todo o ambiente.

Nas mesas, borrachas, lápis, blocos e qualquer outro tipo de material de escritório traz a imagem de personagens Disney, enquanto outros móveis, como lixeira e caixa interna de correio, têm o formato da cabeça do rato mais famoso do mundo.

O curioso é que, desde agosto do ano passado, quando a Disney comprou a Marvel por 4 bilhões de dólares, novos personagens também ganharam espaço. Ao lado da Minnie, agora está o Homem Aranha. Próximo ao Ursinho Puff, o Hulk.

Na porta da sala do vice-presidente sênior da The Walt Disney Company no Brasil, Marcos Rosset, está a figura de um dos mais antigos personagens da antiga Riva, o Capitão América. “Eu o escolhi porque ele é o personagem que me traz as melhores lembranças de quando eu era um garoto”, diz o executivo.

“Cresci assistindo a suas aventuras e agora farei com que a divulgação dele, e dos demais da Marvel, cresça ainda mais no Brasil”. Em uma entrevista ao site EXAME, Rosset explica como está integrando aos poucos os produtos Marvel no portfólio da Disney.

EXAME – Como está a incorporação dos personagens da Marvel no portfólio Disney?
Rosset –
Temos muito pouco para falar da Marvel agora, até mesmo por uma razão contratual. Nós assumiremos o conteúdo oficialmente no Brasil em setembro. A negociação da Marvel pela Disney, há cerca de um ano, já está consolidada, mas especificamente no Brasil, o conteúdo vinha sendo trabalhado por meio de um agente licenciador, e o contrato com ele expira neste mês.

EXAME – O conteúdo será o mesmo? O que muda é o gerenciamento da marca?
Rosset –
Sim, usaremos todo o canal de distribuição, rede de licenciados e infraestrutura da Disney para divulgar o conteúdo Marvel no Brasil. 


EXAME – Por que vocês espalharam os bonecos da Marvel pela empresa?
Rosset –
A Marvel possui um universo mágico de personagens, mas muito distante da cultura dos funcionários, que só trabalharam com produtos da Disney até agora. A Marvel tem mais de 5.000 personagens. Os mais conhecidos são esses que estão pelas paredes. Espalhamos imagens deles pela empresa para proporcionar uma interação dos colaboradores, além do caráter institucional que trazem para a Disney.

EXAME – Os produtos e imagens espalhados pela Disney são muito lúdicos, muito diferentes quando comparados ao de uma empresa convencional, não?
Rosset –
Bem legal, né? Na realidade, tem muito esse lado lúdico, e é curiosa a diferença de reação dos homens e mulheres. Homens, claro, preferem sempre os personagens da Marvel, como o Homem Aranha. Já as mulheres preferem os da Disney.

EXAME – Para os negócios, essa junção de conteúdos tão distintos é boa?
Rosset –
No geral, a junção é muito positiva, porque acredito que os personagens da Marvel complementem os da Disney. Não há nada que bata de frente e vemos nisso uma oportunidade de negócio incrível.

EXAME – No mundo, as receitas anuais da Disney giram em torno de 38 bilhões dólares. Qual é a dimensão dos negócios no Brasil?
Rosset –
Infelizmente não posso abrir números sobre o Brasil, mas posso dizer que nossas metas são ousadas. Queremos praticamente dobrar o faturamento atual da companhia em quase três anos.

EXAME – Qual é o papel do Brasil na estratégia global da Disney?
Rosset –
A filial brasileira é hoje uma das principais do grupo. Prova disso é que, em março, começamos as transmissões do Disney Channel em HD (alta definição). É uma iniciativa inédita da Disney no mercado latino.

EXAME – As adaptações de algumas séries para o mercado local também exemplificam essa importância?
Rosset –
Sim, isso explica porque algumas séries, como a americana Quando Toca o Sino, é regionalizada para cá e feita com atores brasileiros. Apenas neste segundo semestre, essa série será reproduzida em outros países latinos. Esse é só um exemplo de como regionalizamos alguns produtos da Disney que chegam ao mercado brasileiro e latinoamericano. 


EXAME – Em que vocês se baseiam para inserir essas modificações?
Rosset –
Seguimos muito nosso feeling, mesmo porque tem algumas coisas que funcionam melhor aqui do que em outros lugares. Alguns personagens mais tradicionais da Disney, como Mickey e Minnie, têm uma participação maior na receita brasileira do que na receita obtida nos Estados Unidos, por exemplo. Não que os americanos não tenham identificação com esses personagens, mas lá outros personagens – Princesas e Piratas do Caribe – cresceram rapidamente. Essas pequenas diferenças de percepção dos consumidores brasileiros direcionam grande parte de nossas decisões de negócios.

EXAME – Isso passa uma impressão de que os brasileiros não gostam de inovação…
Rosset –
Não é que não gostem. Mas, se pensarmos, o Disney Channel é transmitido por TVs por assinatura para uma base extremamente limitada de cinco milhões e meio de domicílios. Nos Estados Unidos, a transmissão atinge praticamente todo o país, já que o acesso à TV paga é bem maior, quando comparado ao do Brasil. No Brasil, o conteúdo da Disney que está em TV aberta tem obviamente uma penetração maior. Então, não é que o Brasil não goste de inovação, mas aqui demora um pouquinho mais para os novos personagens serem acessíveis a um número maior de pessoas. Isso é perceptível tanto nas vendas de produtos com personagem da marca, quanto na venda de ingressos para filmes da Disney.

EXAME – A vinda do Jonas Brothers, produzido pela Disney para os adolescentes, faz parte de um movimento que tem colocado o Brasil no mapa das turnês dos grandes eventos da companhia. Quais outros shows nesse estilo estão previstos?
Rosset –
O Brasil está realmente no calendário de outros grandes eventos, e nossa ideia é estender esses grandes shows também para outras capitais, inclusive as do Nordeste. Imagino que, na região, a carência de evento seja muito grande, e eu acredito que um evento Disney por lá será um absoluto sucesso. Um exemplo é o Disney On Ice, que este ano aconteceu em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Não tenho dúvida de que podemos levar o espetáculo também para Recife, Salvador e Fortaleza no ano que vem.

EXAME – Houve a necessidade de formar uma equipe específica da Disney para atender o mercado no Nordeste?
Rosset –
Temos hoje na região uma equipe de apenas duas pessoas que já trabalham com a Disney na região. Também estamos abrindo, até setembro, um escritório em Recife, capital pernambucana, que será uma espécie de filial regional para prospectar novos negócios na região.

EXAME – Recentemente, a companhia adquiriu a Tapulous, fabricante de jogos adaptados para os produtos Apple, e a Playdom, desenvolvedora de jogos para o Facebook e iPhone. O que a Disney pretende com esse novo braço de negócio?
Rosset –
A Disney adquiriu pelo menos cinco empresas desse tipo nos últimos anos, porque a visão da empresa é desenvolver conteúdo independente da plataforma, seja cinema, internet e informações por telefonia móvel.

EXAME – Na área de entretenimento, a Disney Channel vem buscando maneiras de reconquistar o público masculino. Como estão fazendo isso?
Rosset –
O canal Disney XD, lançado no país há um ano, tem conteúdo com mais apelo para meninos e está funcionando super bem no Brasil. Não é um canal exclusivamente para os meninos, mas tem esportes radicais e outros temas que atraem mais esse público.

EXAME – Essas são boas maneiras de se concorrer com a Cartoon e a Boomerang?
Rosset –
Temos diferenciais que nos fazem manter a liderança, porque o Disney Channel é um canal para toda a família. Ao longo do dia, oferecemos programas voltados para pré-adolescentes, adultos e até crianças e, com isso, entregamos conteúdo para todos – nenhum outro canal concorrente faz isso. Fica até uma concorrência desleal (risos).

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