Francisco Valim, o executivo que vai comandar a Oi

Agressividade comercial e disciplina são características que marcam sua trajetória até o momento

São Paulo – Uma pessoa disciplinada, mas também capaz de liderar estratégias agressivas de negócios para ver sua empresa progredir. É esse perfil que Francisco Valim, futuro presidente-executivo da Oi, demonstra. No final de junho, ele vai deixar a Experian, onde é CEO para Europa, Oriente Médio, África e América Latina desde dezembro de 2009, para comandar a Oi.

No novo emprego, ele vai ter um desafio e tanto: cumprir as metas que Luiz Eduardo Falco, atual chefe da empresa de telefonia, não conseguiu alcançar em seus últimos meses na companhia. No primeiro trimestre do ano, a companhia apresentou prejuízos de quase 400 milhões de reais. No mesmo período do ano passado, a operadora havia registrado lucro de 518 milhões de reais.

Valim vai assumir o cargo no momento em que a Oi passa por uma reestruturação societária para reunir as ações de todas as empresas do grupo em uma só companhia listada na bolsa. O professor Tarcísio Abreu, da pós-graduação do Ibmec, considera que o mercado vai absorver bem suas estratégias e ações para a Oi. “Os resultados recentes alcançados no Serasa  confirmam seu estilo discreto, mas que poderá contribuir com a Oi frente a grandes desafios de crescimento e rentabilidade”, afirma.

Cada caso é um caso, mas esta não será a primeira vez que o executivo lidera mudanças estruturais em uma empresa de grande porte. Em 2003, quando ingressou na NET, o administrador de empresas se deparou com uma dívida de 1,242 bilhão de reais e um prejuízo de 1,125 bilhão, no ano anterior.

O resgate da empresa do fundo do poço consistiu em maior investimento na área de vendas, nas campanhas publicitárias e de marketing e na qualidade do serviço para quem já era assinante. Ao mesmo tempo, a dívida foi renegociada com os credores e as finanças foram colocadas, aos poucos, de volta nos eixos. Em 2006, a NET teve o primeiro lucro anual de sua história, graças à agressividade da gestão de Valim para manter clientes e gerar novas assinaturas.

Crença

Essa postura firme é, em parte, fruto de sua passagem pelo exército, aos 18 anos, e de sua religião mórmon. Do período em que participou do serviço militar obrigatório, Valim tirou como lição maior a disciplina, que ele leva até hoje para o escritório. O trabalho de farda foi seu primeiro emprego, que durou um ano e meio.


Apesar de todo o ceticismo necessário no mundo dos negócios, é na sua crença que executivo tira força e até ajuda em momentos decisivos. Em uma entrevista dada a VOCÊ S/A, em 2009, ele afirmou que acredita que Deus fala com os homens e que, nas muitas vezes em que pediu ajuda ao plano superior para tomar uma decisão, a resposta veio. Mesmo não sendo a decisão mais popular ou óbvia, era sempre a mais correta.

Trajetória

O próprio Valim não sabe dizer o que é propriamente fruto da religião ou não. Mesmo assim, tem consciência de que sempre foi estudioso e disciplinado nos tempos de colégio. Depois de três anos e meio de engenharia, sentiu falta de uma abordagem mais humanística e migrou para a administração de empresas, curso em que se formou aos 24 anos, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Entre 25 e 26 anos de idade, já era gerente administrativo de uma pequena empresa para a qual havia criado um programa de contabilidade. Essa liderança, que aflorou relativamente cedo, se desenvolveu em seus trabalhos seguintes. Desde então, passou pela vice-presidência e diretoria financeira da RBS, pela diretoria financeira da Telemar (que, depois, virou Oi), pela presidência da NET Serviços e pela presidência da Serasa Experian e chefia operacional da Experian América Latina.

Antes de assumir a Oi, se despede do cargo de CEO da Experian para Europa, Oriente Médio, África e América Latina e também de Londres, onde morava. A saída de Valim da Serasa Experian está marcada para dia 30 de junho. A Oi não comenta o assunto.