Universalizar saneamento em SP traria R$ 65 bilhões ao Estado em 20 anos

SÃO PAULO – No final de abril deste ano, o Instituto Trata Brasil divulgou um estudo que estimou o retorno financeiro, para o País, da universalização do saneamento em todo território nacional. Descontados os investimentos necessários para viabilizar o acesso aos serviços de água e recolhimento de esgoto até 2035, o levantamento apontou que a medida geraria R$ 537 bilhões em 20 anos.

Agora foi a vez do mesmo instituto divulgar levantamento parecido focado no estado de São Paulo – e os resultados impressionam. Segundo números recém revelados, em 20 anos, a universalização do saneamento no Estado mais rico da federação renderia benefícios econômicos e sociais da ordem de R$ 64,9 bilhões, com os setores de saúde, educação, turismo, trabalho e imobiliário entre os maiores beneficiados.

Leia o material de divulgação da pesquisa “Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento em São Paulo” o levantamento, os custos totais para se chegar à universalização em São Paulo em 20 anos são de R$ 52,9 bilhões, enquanto os benefícios batem os R$ 117,8 bilhões – o que resulta em uma diferença de R$ 64,9 bilhões. Isso significa que, para cada R$ 1 mil investidos na expansão da rede de distribuição de água e recolhimento de esgoto, R$ 2,4 mil voltam em benefícios para a população.

Leia mais
“> Saneamento básico: universalização traria R$ 537 bi em benefícios ao País https://www.juntospelaagua.com.br/2017/04/26/beneficios-saneamento/
“> ONU: investimento atual não garante universalização da água e esgoto até 2030 https://www.juntospelaagua.com.br/2017/04/27/investimento-nao-garante-universalizacao/
Saneamento deve atrair até R$ 35 bilhões em aportes privados, diz estudo lembrar que São Paulo já tem índices relativamente bons de cobertura de serviço de água e recolhimento de esgoto quando comparado a outros Estados brasileiros. Segundo dados de 2015, 95,6% da população do Estado tem água tratada e 88,4% tem coleta de esgoto, contra média nacional de 83,3% para água tratada e 50,3% para recolhimento de esgoto. Ou seja, a expansão na cobertura, mesmo em Estados já bem atendidos, traz ganhos expressivos.

*Saneamento e igualdade de gênero

Um benefício pouco conhecido, mas cada vez mais estudado, da universalização é o da igualdade de gênero. Muitas pesquisas já mostraram que as mulheres são desproporcionalmente afetadas pela falta de água, já que, frequentemente, cabe a elas cuidar da casa – e cuidar da casa envolve prover água.

Leia mais
“> Mulheres sofrem mais com falta de acesso à água, diz Unicef https://www.juntospelaagua.com.br/2017/05/23/mulheres-sofrem-mais-com-falta-de-acesso-a-agua-diz-unicef/
“> Falta de água e saneamento afeta mais as mulheres, afirma ONU https://www.juntospelaagua.com.br/2016/11/29/falta-de-agua-saneamento-mulheres/

Mas, para prover água, muitas perdem valiosas horas do dia caminhando até poços distantes e carregando pesadas tinas com o líquido de volta para casa. Isso reduz, de forma importante e mensurável, a frequência de meninas e mulheres na escola, e aumenta a exposição a riscos de saúde e segurança. Os benefícios da universalização, portanto, são mais variados do que se imagina.

!link Veja minidocumentário do Instituto Trata Brasil que mostra o que muda com a chegada do saneamento básico. https://www.juntospelaagua.com.br/2017/09/21/universalizar-saneamento-em-sp-traria-r-65-bi-ao-estado-em-20-anos/