Têxteis produzidos de forma sustentável ampliam participação no mercado de decoração

Na Paraíba, a produção de algodão colorido orgânico certificado tem apenas 25 hectares e, de tão pequena, nem aparece nas estatísticas oficiais de produção de algodão. No entanto, os produtos de decoração derivados da fibra têm se destacado no Brasil e no exterior. Chama a atenção do mercado o cultivo feito na região do semiárido, em sistema de sequeiro, sem irrigação e nenhum tipo de irrigação, adubo ou inseticida sintético.

O plantio é feito por meio de compra garantida por pequenas indústrias e confecções. Uma delas é a Santa Luzia Redes e Decoração, localizada em São Bento, no mesmo Estado, e o valor pago por quilo da pluma é o maior do país. “Trata-se reconhecer o valor do trabalho promovendo a permanência das famílias que vivem dignamente da produção rural”, explica Armando Dantas, diretor executivo da empresa. 

Neste contexto slow living, em que o modo de fazer é tão importante quanto o produto, a empresa vem se tornando referência entre as principais empresas têxteis com foco em sustentabilidade do país. E comemora 32 anos produzindo artigos de decoração com matéria-prima ecológica em teares artesanais e mecânicos. A tecelagem fabrica redes, mantas, xales, cortinas, almofadas, tapetes, jogos americanos entre outros produtos com algodão colorido natural orgânico e também com fios de algodão reciclado e reconfigurados com PET (garrafas de refrigerantes e água).

A mão de obra, composta de profissionais especializados, capricha nos detalhes artesanais — são várias técnicas dentro da tipologia têxtil executadas à mão, em sua maioria, por mulheres. Elas se organizam em comunidades e trabalham em suas próprias casas equacionando o fazer das tramas, nós e fios com a atenção aos filhos e mantendo viva a tradição do fazer artesanal.

Fios ecológicos e cadeia produtiva sustentável

Ao escolher “plantar o próprio algodão” para fazer seus produtos sob a supervisão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a fábrica reduziu o uso de água em 87,5% no processo produtivo. A mudança também ajudou a atender a demanda por produtos orgânicos, um setor que tem previsão de crescimento de 20% até o final do ano, de acordo com o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis).

Com foco em sustentabilidade social, ambiental e cultural, a empresa distribui no mercado produtos com o algodão colorido natural orgânico de produção local. Assim, diminui a pegada de carbono. A pluma, certificada como produto orgânico com selo Ecocert, já nasce nos tons bege e marrom. Toda a produção é feita em sistema de agricultura familiar por trabalhadores da Associação dos Assentados Margarida Maria Alves no município de Juarez Távora, na Paraíba.

Para continuar evitando o uso da água na região que é vulnevável à seca, indústria trocou fios tingidos por fios reciclados. Com isso diminuiu também o uso de energia na empresa — já que não existe necessidade de esquentar caldeiras para tingimentos. “No nosso setor econômico, o impacto ambiental é devido ao uso da água e corantes. Trabalhamos intensamente para garantir a economia de água”, diz Dantas.

São três décadas atuando com foco claro em produtos éticos e limpos com produção para o mercado interno e para a exportação. Atualmente, a Santa Luzia Redes e Decoração possui seis lojas próprias, dezenas de representantes e centenas de lojistas nacionais e internacionais para atender consumidores exigentes e alinhados aos valores da marca.

Com muito senso de realidade e fé no futuro, a empresa continua apostando no amadurecimento do consumo consciente. Dantas se movimenta para garantir outras certificações que vão além de produto orgânico e não tem medo do ampliar a demanda. “Ainda que nossos produtos tenham alma artesanal, nossa produção é em escala industrial”, conclui.

 

 

Website: https://www.redesantaluzia.com.br/