Rotatividade nas empresas: dados de indicador apontam para mercado de trabalho futuro nebuloso

O recuo do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) – de 3,3 pontos em setembro em comparação ao mês anterior – acendeu a luz vermelha para um possível efeito dominó na rotatividade de funcionários nas empresas. O prognóstico é do professor de Programação Neurolinguística e Gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e vice-presidente da Blueway Consultoria, Sandro Carlos Pereira, que há 17 anos atua no mercado de negócios com soluções de alto impacto em logística corporativa. Para ele, o fenômeno pode refletir no mercado de trabalho, tendo entre os efeitos a queda na qualidade dos serviços.

“Demitindo mais, o mercado busca eliminar posições ou contratar pessoal mais barato, possivelmente menos qualificado, o que, por sua vez, estimula novas trocas de pessoas e aumento na rotatividade”, destaca Pereira, que é mestre em Gestão Ambiental, especialista em Liderança Situacional e coaching pelo Instituto Internacional de Coaching. Ele acrescenta que, com a troca constante do quadro funcional, muitas empresas não conseguem formar profissionais para desenvolver as tarefas mais elementares. Esse cenário pode se agravar com o quadro de incerteza em relação ao crescimento da atividade econômica do Brasil. O resultado do IAEmp recuou para 91,0 pontos, como divulgou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo.

O especialista destaca ainda que “a crise econômica que, atualmente não só o Brasil enfrenta, faz com que as organizações reduzam o quadro de colaboradores, gerando alto índice de turnover [giro entre entradas e saídas de uma empresa], sendo uma das primeiras medidas adotadas na redução de custo”. 

Com a tendência de turnover, os profissionais de Recursos Humanos passam a enfrentar um enorme desafio na hora de recrutar novos trabalhadores. Ao selecionar o candidato, o avaliador de RH tem que ter em vista a maior produtividade e eliminação do desperdício para a corporação. “Um dos principais desafios é a falta de qualificação dos candidatos à vaga, seguindo ainda que cada profissional que vai trabalhar na organização tem seu potencial, e também suas limitações. As emoções influenciam na produtividade e no relacionamento interpessoal no trabalho e a vida pessoal impacta diretamente na vida profissional, o que torna quase impossível dissociar pessoal e profissional. Todos estes fatores dificultam ainda mais o processo seletivo”, analisa Pereira.

No Brasil, a rotatividade atingiu quase 40% em 2016, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), do Ministério do Trabalho. Um dos ramos em que o turnover é mais acentuado é o de Contac Center. Na avaliação do especialista, o giro constante de funcionários reflete na produção, no clima organizacional e no relacionamento interpessoal. “Trata-se de um processo muito oneroso. Se as demissões forem feitas de maneira correta, a organização pode torna-se mais competitiva, elas precisam determinar a quantidade certa de demissões, o fator-chave não é quantos colaboradores estão saindo, mas qual o potencial dos que ficam”, enfatiza Pereira.

O economista Humberto Carneiro, que atuou como executivo de grandes marcas e, atualmente, ministra cursos com foco em redução de custos, frisa que é preciso desmistificar no mercado de trabalho a cultura de que contenção de despesas nas organizações passa, necessariamente, pela demissão de funcionários. Segundo ele, este caminho pode gerar maior perda de produtividade, sobrecarga de trabalho para os profissionais que permanecem e ainda elevar o custo com novas contratações e treinamentos.

Atuando na Blueway Consultoria com uma equipe multidisciplinar de consultores, Carneiro vem aplicando metodologias próprias e customizadas nas empresas, visando tratar as questões de controle de custos vinculado à sustentabilidade. “Buscamos o crescimento sustentável do negócio, a sobrevivência saudável da empresa nos momentos de crise para que ela exista no longo prazo. Este é o caminho mais seguro para a saúde da empresa e do mercado globalizado”, justifica.

Fase de incertezas

A consultora de Recursos Humanos, Sandra Nilza, avalia que os setores econômico e financeiro estão atravessando uma fase de elevada incerteza, como reflexo do cenário político e deixando os investidores mais tímidos nos seus negócios. A conjuntura, por sua vez, ecoa nos índices de empregabilidade e de informalidade no mercado de trabalho: “Estamos em um cenário bem complexo e quem tem sofrido mais as consequências são os trabalhadores. Este quadro só deve estabilizar no momento que forem definidos os rumos da política, assim os investidores voltam movimentar o mercado econômico”. A previsão disso acontecer é março ou abril do próximo ano, como analisa Nilza.

Segundo a consultora, as empresas vêm fazendo cortes significativos nos seus quadros de funcionários. “O que estamos constatando hoje é o crescimento da informalidade. Profissionais gabaritados e com titulação estão se vendo obrigados a assumir cargos e funções abaixo da sua qualificação, por causa da falta de colocação em sua área de formação”, destaca a especialista.

 

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