Pessoas estão perdendo muito dinheiro na Bolsa de Valores e isso pode se agravar ainda mais

Com a facilitação do acesso a informação e da praticidade propiciada pela internet, o número de pessoas investindo na Bolsa de Valores vem aumentando consideravelmente, e, nesse ano de 2019, o Brasil atingiu o número histórico de 1 milhão de CPFs cadastrados na Bolsa.

Ao mesmo tempo que o número de investidores aumenta, cresce também a quantidade de pessoas perdendo dinheiro no mercado financeiro. Em pesquisa encomendada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), referente ao período de 2012 a 2017, de 19.696 pessoas que começaram a operar com Day Trade (módulo em que o investidor inicia e encerra a operação no mesmo dia) apenas 1.558 (7,9%) persistiram por mais de 300 pregões. As perdas individuais foram de R$ 35,90 a muito mais de R$ 1 mil por dia.

Esses dados se referem apenas a esse tipo de negociação (Day Trade), mas estima-se que o prejuízo seja ainda maior se forem consideradas também as operações normais, aquelas que não terminam no mesmo dia.

A pesquisa analisou informações de 2012 a 2017, e nos anos seguintes, como a quantidade de pessoas vêm aumentando, a expectativa é que essa perda financeira aumente ainda mais. Algumas das razões apontadas por especialistas é a falta de conhecimento adequado e gerenciamento de risco.

Guilherme Almeida, da RenkoProp, considera esse cenário natural: “Quando um novo negócio se mostra como uma grande oportunidade, é natural que se inicie um efeito manada na busca de se aproveitar disso. Vocês devem se lembrar do crescimento do número de franquias que houve nos últimos anos. Pessoas que não tinham nenhuma experiência e capacitação no comércio começaram a adquirir franquias de varejo como se ter uma loja fosse a receita do sucesso e do lucro garantido. Bom… quem já foi comerciante sabe que não é bem assim que funciona e na Bolsa não é diferente.”

Segundo Guilherme, o motivo das pessoas perderem dinheiro na Bolsa de forma contínua está ligado não apenas a um fator específico, mas de vários, que vão desde a falta de conhecimento adequado, falta de gestão de risco e até mesmo a fatores culturais.

“É pouco provável que uma pessoa descontrolada financeiramente tenha sucesso em algo que dependa totalmente das decisões dela e que o lucro decorra justamente do equilíbrio entre as perdas e os ganhos. Vejo o trader como uma indústria que produz dinheiro. Ela investe em matéria prima, mão de obra, tempo, energia e apesar das perdas, que são naturais, no final, ela tem lucro. Mas se um departamento dessa indústria está desalinhado, ao invés do lucro vem o prejuízo. Todavia, percebo que em vez de pensar de forma sensata, muitas pessoas estão vindo para a Bolsa, na modalidade mais difícil que existe, que é o day trade, com um sonho da mega-sena e tratando tudo como um caça níquel”, aponta Guilherme.

Menos de 0,02% dos brasileiros investem na Bolsa, enquanto a média em países desenvolvidos gira em torno de 5%. Nos Estados Unidos, por exemplo, 65% da população investe na Bolsa e a movimentação financeira das ações de uma única empresa é maior que toda a Bolsa brasileira. Isso mostra que apesar do crescimento que vem acontecendo ao longo dos anos, ainda há muito espaço pela frente.

Olhando para atrás, em 2014, Anderson Fico, em texto publicado na Folha de São Paulo apontava a maior “fuga” de pessoas físicas do mercado de ações em 16 anos. Naquele ano, Fico expôs que a parcela de pequenos investidores na antiga BM&FBovespa, hoje B3, era de 13,9%, o menor nível anual desde 1998, quando esteve nos 12,3%.

Agora, 5 anos depois, a Bolsa alcança um número recorde de investidores e isso mostra que com o passar dos anos os brasileiros voltaram e ou começaram a vê-la com bons olhos, mas qual será o resultado disso?

De acordo com Guilherme: “Isso é muito bom. Significa que nosso mercado está crescendo e que o investimento em Bolsa de Valores traz oportunidades e liberdade que poucos outros tipos de negócio proporcionam. E ela está aí! Ao alcance de um clique do mouse. Mas as pessoas que queiram começar e até mesmo as que já estão fazendo seus investimentos precisam ter a consciência de que a Bolsa não é loteria. Enquanto os amadores tentam encontrar fórmulas ou “dicas” que façam ganhar muito dinheiro, os investidores profissionais estão atuando com método, gestão e estudo, buscando de forma prática e minuciosa cada oportunidade de lucrar. Quando você está investindo ou fazendo trading, você não está negociando com uma criança ou um leigo, mas sim com grandes bancos, robôs e profissionais que tomam suas decisões por análises concretas, não por achismos.”

Guilherme também aborda um pouco de sua experiência no meio educacional, nessa área de investimentos: “Hoje, nossos alunos estão divididos em dois grupos. Estimamos que 60% entraram no curso já com algum conhecimento e ou prática em investimentos na Bolsa. Os outros 40% não conheciam absolutamente nada e nem sabiam o que era uma corretora de valores. Pela análise de dados desses mesmos alunos, nós podemos ver que as pessoas que entraram totalmente leigas sobre o assunto têm um desenvolvimento muito mais rápido e com resultados de melhor qualidade do que as pessoas que chegaram com alguma “bagagem”. Elas chegam sem certezas, sem vícios e isso torna o processo de aprendizado muito mais produtivo e os resultados falam por si.”

Este tem sido um ano de recordes batidos na quantidade de brasileiros na Bolsa e na alta do principal índice do Brasil, o Ibovespa. Um momento de oportunidades mas também de cautela. “Antes de qualquer coisa, a pessoas precisam entender que a Bolsa de Valores não é lugar de brincadeira e nós até disponibilizamos na área educacional de nosso site, um material de estudo gratuito e introdutório para a Bolsa. Esse material foi redigido em uma linguagem simples e direta, para que todos entendam. Também temos compartilhado muita coisa em nosso Instagram e esperamos que isso ajude quem está querendo começar e também quem já faz seus investimentos.”

Percebe-se que a Bolsa de Valores, que antes era acessível somente para quem já tinha proximidade com o mercado, hoje está se tornando cada vez mais popular. Esse é o início de um grande crescimento, mas que pode ser maléfico para quem não está preparado.

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