“Meu sonho é me tornar um grande cineasta”

Este 2016 promete ser agitado para o ator Gabriel Calamari, 21 anos. Nem bem o ano começou e ele já está na terceira temporada de “Que Talento!”, série brasileira, da Disney Channel, em que faz o doidinho Champ, diretor da Barulho Talents. Também marca presença nas telinhas de toda a América Latina em “Soy Luna”, nova telenovela do Disney Channel. E está envolvido com seu mais ambicioso projeto: o filme Alice Daniel, onde atua como produtor e ator. A direção é de Daniel Caselli e o roteiro é assinado por André Rodrigues – ambos, profissionais que de “Que Talento!”. No elenco, está o ator João Côrtes (o ruivinho das propagandas da Vivo), de quem Gabriel é amigão, que fará o papel de Igor.

A experiência de Gabriel como produtor e ator veio bem cedo, por volta dos 17 anos, quando montou para o teatro “Alice Gabriel”. “Meu pai comprou os direitos da peça para eu encenar. Encarei o desafio e o espetáculo ficou em cartaz por um ano. Foi algo muito marcante, um grande aprendizado que me fez entender toda a cadeia que envolve o trabalho artístico”, conta o ator.

Tranquilo e focado, Gabriel, apesar de estar produzindo o filme, prefere dizer que esse seu primeiro trabalho cinematográfico é apenas a primeira parte de uma etapa para atingir seu objetivo: “Meu sonho é me tornar um grande cineasta”, declara. É claro que poderia declarar-se cineasta desde já. No entanto, o ator é o tipo de pessoa que, apesar de correr atrás das coisas e ter pressa para alcançar as metas que coloca para si mesmo, jamais queima etapas quando o tema é trabalho. Prefere segurar a ansiedade e planejar sua carreira com calma para que ela seja construída sobre alicerces bem sólidos.

Foi assim desde criança, quando, aos 9 anos, decidiu ser ator. “Meu irmão mais velho tinha 19 anos, fazia teatro no Senai e entrou para a Fundação das Artes de São Caetano do Sul. E eu, de algum modo, fui influenciado por ele. E comecei a estudar teatro, que para mim era – e ainda é – um mundo mágico”, diz. “Quando me dei conta, minha vida estava entregue ao teatro. É claro que eu gostava de jogar bola com os amigos, me divertia muito, mas pensava e vivia teatro o dia todo”. Sua dedicação era tanta que, aos 12 anos, foi convidado para dar aulas de teatro na escola. “Foi quando eu passei a ganhar dinheiro com o que mais gostava de fazer. De certo modo, considero que foi ali que me tornei um profissional de teatro”, lembra.

E de lá para cá Gabriel passou a acumular muito espetáculos teatrais no seu currículo. Até entrar para Fundação das Artes de São Caetano do Sul e mais tarde, meio de “contrabando”, tomar parte do grupo do Oswaldo Montenegro. Foi assim: quando estava com 14 anos, saía de São Bernardo do Campo para São Paulo para estudar teatro na Oficina dos Menestréis, com o Deto Montenegro, irmão do Oswaldo. Com ele, Gabriel fez peças com o Deto e com a Evelyn Klein. Até que ficou sabendo de um teste para entrar na companhia do Oswaldo Montenegro que estava selecionando atores para uma montagem. O detalhe é que o quesito básico para participar, além da experiência nos palcos, era ter 17 anos e Gabriel estava com 15. “Mas eu não dei bola para isso e fui fazer o tal teste – obviamente, menti sobre minha idade. E para minha total surpresa, passei”, conta ele que lembra ter sido avisado por vários conhecidos que o Oswaldo Montenegro é extremamente rígido – principalmente com o horário. Para não correr risco de levar bronca, Gabriel teve que rebolar meses. Saía da escola, em São Bernardo do Campo, por volta de 12h30 e 13h30 já estava na Vila Madalena, ensaiando com o Oswaldo. Os ensaios acabavam meia-noite e depois a turma esticava para um café. “Eu chegava em casa às duas da madrugada, depois de pegar trólebus e metrô. Ficava exausto, mas nunca me atrasei na escola nem nos ensaios”.

Na companhia de teatro, todo mundo achava mesmo que Gabriel tinha mesmo 17 anos, porque ele era bastante maduro para sua idade real. Até que alguns dias antes da estreia da peça, Oswaldo Montenegro parou na minha frente e olhou bem sério para mim: “Quantos anos você tem?”, perguntou à queima-roupa. Assustado, Gabriel achou melhor falar a verdade. “E a reação dele foi inesperada. Oswaldo subiu no palco, pegou o microfone e começou a tirar o maior sarro de mim. O fato é que ele adorou a ideia de eu ter mentido para ir atrás do meu sonho de ser ator”, lembra o ator que também teve lá suas dificuldades na companhia. Cansado da correria do dia a dia, não estava conseguindo decorar bem os textos. “Uma vez subi no palco e falei mal minha parte. Na mesma hora, o Oswaldo chamou outro garoto do grupo. Aquilo, para mim, foi um tapa na cara: fiquei ainda mais atento e estuava os textos como um maluco, porque sabia que se não fizesse minha parte bem haveria outra pessoa para ocupar o meu lugar”.

Mas aí chegou a época de fazer vestibular e Gabriel, que é fã número um do pai – o advogado e empresário Marcos Antônio Calamari – prestou Direito e entrou na faculdade. Toda a família estava feliz, menos o Gabriel que percebeu que havia feito aquilo apenas para agradar ao pai. “Fomos passar as férias na nossa casa de Ilhabela, meu refúgio, e meu pai me chamou para conversar. Me perguntou se eu queria mesmo fazer Direito. Eu desabei. Ele me deu a maior força para eu escolher algo que eu realmente quisesse. Então, fiz vestibular para Cinema, na FAAP. E comecei a cursar até que um rapaz que me conhecia da Oficina dos Menestréis me avisou sobre um teste e lá fui eu. Assim que chegou a minha vez, me perguntaram se eu me considerava um cara engraçado e eu fiz uma piada e aí ouvi “Corta!”. Depois disso fiz mais dois testes até que me disseram que eu seria o protagonista e fiz o piloto do ‘Que Talento!’. Gravei durante três dias no estúdio do Disney Channel e fiquei na geladeira quase um ano. Já havia perdido as esperanças quando me chamaram para, finalmente, gravar. Tranquei a faculdade e não parei mais”.

A carreira deslanchou. Com o cachê comprou os direitos para fazer o filme “Alice Gabriel”; depois veio “Carrossel, o filme”; a segunda e – agora – a terceira temporada de “Que Talento!” e a projeção em toda América latina com a participação no “Soy Luna”. No meio de tudo isso, conheceu Valeria Baroni, atriz e cantora argentina que faz a Lara, da série “Violetta”, e a Vitória, de “Que Talento!”. “Estou completamente apaixonado pela Vale, mas minha vida afetiva está em uma fase terrível. Ela está em Buenos Aires e eu aqui, no Brasil. Viajo para lá algumas vezes e ela vem me visitar. Mas nós dois precisamos cuidar de nossas carreiras e acho péssimo ficar longe dela. Nos falamos todos os dias, morro de saudade. Sou muito fiel, não sou de baladas e fico de mal humor de não poder estar ao lado dela o tempo todo. Mas quando nos encontramos é tão legal que tudo isso vale a pena”, confessa Gabriel.