Mercado pode perder R$ 115 bilhões até 2020 por falta de profissionais

No Brasil, o setor de Tecnologia da Informação (TI) gera mais de 1,3 milhão de empregos e, conforme dados da Softex, tem um déficit de mais de 48 mil profissionais que, se não for suprido, poderá ocasionar perdas de receita da ordem de R$ 115 bilhões até 2020.

Por outro lado, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE mostra que só 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI são mulheres.

Uma escassez que não é exclusividade nacional: censo feito pelo governo norte-americano mostra que por lá apenas 25% das vagas do segmento são ocupadas por mulheres, que ganham em média 10 mil dólares a menos que homens em cargos semelhantes.

Para debater o assunto, diversos movimentos estão em andamento. Um deles ganhará espaço durante o SE Day, evento que a PUC-RS realiza para debater o mercado de Engenharia de Software. A ideia é debater e trocar experiências sobre formações na área, carreira, investimentos, além de dar foco a um ponto de atenção: a disparidade de gêneros ainda presente no segmento de TI, assim como em outras áreas empresariais.

“O evento trará à tona este importante debate. Temos alguns movimentos importantes ocorrendo neste momento, como o She Talks, que sublima o que vem ocorrendo, e aqui no Sul temos o esforço de nossas colegas da TI, com grupos como o Women IT, que temos apoiado frontalmente”, comenta Donald Reis, vice-presidente e diretor de Marketing do SEPRORGS, apoiador do SE Day. “No vale do Silício este movimento também é latente e uma série de organizações de tecnologia tem realizado suas apostas de comando em uma mulher”, pontua.

Para o VP, alguns quesitos históricos e sociais contribuem para a composição do cenário de disparidade de gêneros no mercado profissional, e é uma realidade que tem de ser mudada.

“A mulher ganha cada vez mais espaço merecido no mercado. O perfil da sociedade está em mudança, a família mudou e o número de mulheres com este perfil vem aumentando”, destaca Reis.

Na própria PUC-RS, realizadora do evento, uma mulher comanda a AGES – Agência Experimental de Engenharia de Software, a professora Alessandra Dutra.

A AGES é componente curricular do Curso de Bacharelado em Engenharia de Software, integrada com as outras disciplinas do curso na PUC-RS. Os estudantes passam por dinâmicas da Agência ao longo da formação para desenvolver habilidades essenciais ao mercado.