Mercado de cosméticos masculinos continua avançando e conquistando novos adeptos

O mercado de cosméticos masculinos abriu novos caminhos na indústria da beleza, e vem se transformando ao longo dos últimos anos. Em 2016, segundo a Factor Kline, o setor atingiu o faturamento de vendas de US$4,5 bilhões, com taxa de crescimento superior a 3% nos últimos 5 anos (2011 a 2016). Os dados positivos são impulsionados por homens, cada vez mais, cientes da necessidade de cuidados pessoais com o corpo e a beleza. Um bom exemplo da ascensão do mercado masculino é o crescimento de barbearias, segmento que está a pleno vapor com abertura constante de novas lojas para atender um consumidor cada vez mais exigente.

O crescimento deste setor tem previsões ainda mais otimistas para um futuro próximo. De acordo com o Global Industry Analysts Inc, o mercado global masculino deve duplicar seu crescimento e valerá US$ 43,6 bilhões até 2020. As quatro empresas líderes deste segmento são Unilever, Procter & Gamble, Colgate-Palmolive e L’Oréal. Juntas, representam 50% do mercado.

Elaine Gerchon, gerente de projetos da Factor Kline, acredita que “o aumento do poder de compra das novas gerações, que acompanham as tendências do mercado, principalmente através de celebridades, leva a “noção de autocuidado” a outro nível, com barbas perfeitas e o men bun. O homem de hoje procura não só o serviço em si, mas um lugar onde ele pode se sentir confortável e valorizado”. E a prospecção da executiva vai de encontro com um dos últimos lançamentos do mercado internacional. Em janeiro, o ex-jogador de futebol David Beckham anunciou sua própria linha de cosméticos masculinos, intitulada House 99, em parceria com a L’Oréal. O lançamento está marcado para fevereiro e, inicialmente, os produtos serão distribuídos apenas no Reino Unido. Entretanto, o poder de divulgação e influência do ex-jogador já está projetando desejo em muitos consumidores ao redor do mundo.

O mercado brasileiro de cosméticos masculinos também não tem deixado a desejar. Os consumidores podem encontrar diversas opções de produtos, de acordo com suas necessidades. E a qualidade e a entrega das soluções só são possíveis com a formulação correta e com ativos inovadores. A Univar, empresa especializada em matéria-prima para cosméticos, esclarece que a “expertise da companhia que vende os produtos fará diferença na escolha, é preciso entregar o que os homens buscam, tanto os benefícios como o sensorial. Este público opta por produtos com sensorial leve e com multipropostas”. Dentro do mercado masculino há o lançamento da BASF, o ativo dermatológico Speci´Men™. Segundo a Univar, este é o primeiro ingrediente ativo desenvolvido especificamente para a pele masculina, que apresenta densidade de colágeno maior do que a feminina. Isto significa que os sinais de envelhecimento são menos aparentes. No entanto, uma vez que as primeiras linhas começam a aparecer, elas se transformam em rugas mais rapidamente. Seu alvo é o Versican, um proteoglicano chave para as propriedades viscoelásticas e saúde da pele masculina, que se acumula com a idade e perde sua funcionalidade junto às fibras elásticas da pele.

Apesar do machismo ainda presente na sociedade brasileira, a propagação rápida das informações e as compras pela internet auxiliam, e muito, no crescimento deste segmento da indústria cosmética. Guilherme Campos, sócio-fundador da Dr. Jones, empresa dedicada desde 2013 exclusivamente a cosméticos para homens e a única marca masculina vendida na famosa Sephora, completa: “Um ponto curioso é que alguns produtos, como o gel redutor, vendem mais online do que nos pontos de venda. Talvez, porque o homem ainda sente receio de sair da loja com um produto estético. O lado positivo é que, pelo menos, de uma forma ou de outra ele está cuidando mais de si mesmo”. A Dr. Jones também possui mais um artifício que auxilia seus clientes, que é um rótulo totalmente ilustrativo em que constam as principais informações do produto como efeito, nível de fixação e qual será o estilo alcançado. Campos ressalta que isso é um detalhe que faz toda a diferença neste tipo de público. “Os homens são mais objetivos e olhar para rótulos com muita informação nos deixa um pouco perdidos, por isso pensamos que deixar claro o que o produto faz seria importante para nós e para nosso cliente”, explica.

A marca brasileira Barba de Respeito, criada em junho de 2016, também se beneficiou da popularização da internet e conseguiu garantir boa parte da renda online. “Hoje, 70% da nossa demanda de vendas é feita por e-commerce e entregues através do centro de distribuição ou dos correios. O restante, 30%, é feita por representantes, como rede de farmácias e barbearias”, explica Junior Gripa, sócio da Barba de Respeito.

A indústria de cosméticos masculinos possui algumas estrelas bem definidas. Apesar de não estarem no topo da lista, os cosméticos para barbear representam uma boa fatia no total de vendas dos produtos masculinos, com um crescimento de 6%. No Brasil, desde 2013, quando houve o “boom” de barbas, os produtos para esta região do corpo começaram a apresentar maior diversidade e tecnologia. Atualmente, podemos compará-la como tão importante para o homem quanto o cabelo para as mulheres. A ascensão deste segmento ganha força com o lançamento de produtos inovadores, comandada por empresas líderes de mercado, como Aché e Unilever, que usaram a tecnologia em cosméticos para solucionar problemas recorrentes de homens. A foliculite de barba é uma das principais queixas do público masculino, por isso, a marca Profuse criou duas soluções para minimizá-la: um hidratante calmante (Nutrel Suavizante Balm) e uma água hidratante e anti-inflamatória em spray (Profuse Água Dermatológica).

A previsão da instituição de pesquisa Factor Kline é que a evolução do mercado de cosméticos masculinos continue com um crescimento de 3% ao ano, com um crescente público de homens gastando tempo e dinheiro em produtos para melhorar a aparência e, principalmente, a forma de como se sentem. O mercado deve continuar recebendo novas marcas (indie brands), como a Barba de Respeito e a Dr. Jones. No entanto, é preciso mais do que empreender para se manter vivo neste segmento em constante evolução. As marcas precisam acompanhar as tendências de mercado e investir em novas tecnologias para atender o consumidor.