Jovem vence todas as limitações, torna-se pesquisador na MIT e em Harvard e até recusa convite da Nasa

A trajetória do sorocabano Matheus Akira Tomoto, 26 anos, é surpreendente e atípica. Ele nasceu numa família humilde, com grandes limitações financeiras. Antes mesmo de completar dez anos, ajudava o pai a vender produtos de limpeza de porta em porta. Mesmo assim, vem construindo uma carreira acadêmica de sucesso nas principais universidades americanas e já chegou a recusar um convite para que integrasse o time de pesquisadores da Nasa. “Se eu consegui, qualquer jovem também pode. Basta ter perseverança e foco”, resume Matheus.

Dormir nas aulas e aprender inglês sozinho
Ele frequentou escolas públicas durante todo o ensino médio. Aos dezessete, inscreveu-se para uma bolsa de estudos num cursinho pré-vestibular. Conquistou a bolsa. Na sequência, ingressou – também como bolsista – na Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens). Chegava a dormir nas aulas: se deitava após a meia-noite e acordava antes das seis da manhã, devido à sua rotina de trabalho e estudos. Sozinho, aprendeu a falar inglês, a ponto de ser aprovado no exame de proficiência Toefl. Tudo isso porque acreditava que poderia alçar voos ainda mais altos: inserir-se no meio acadêmico internacional.

Mais de 30 convites das principais universidades do mundo
Matheus chegou a enviar mais de dois mil e-mails com seu currículo para diversas instituições de ensino dos Estados Unidos. Foi assim que, paulatinamente, os convites começaram a chegar. Em 2014, recebeu mais de trinta propostas, incluindo das dez principais e mais renomadas faculdades de engenharia americanas, como Massachusetts Institute of Technology (MIT), Stanford, Harvard, Caltech, Georgia Tech, Berkeley e Irvine. “Quando você tem um desafio, não pode desistir”, orienta. “Aprendi, na prática, o poder da perseverança e de nunca desistir”, destaca.

No MIT: projeto que livrará o mundo dos cabos e fios elétricos
Inicialmente, aceitou a proposta do MIT. Lá, trabalhou como pesquisador assistente em projetos ligados às tecnologias emergentes, submarinos autônomos, inteligência artificial avançada e transferência de energia elétrica sem fio. Neste último – que deverá revolucionar o cotidiano pessoal e profissional das pessoas em todo o mundo -, Matheus integrou o time de criação.

Trata-se, resumidamente, de uma ferramenta que poderá abolir o uso de fios e cabos na transmissão de energia elétrica. “Imagine entrar em sua casa ou em seu escritório e, automaticamente, começar a carregar seu celular ou, ainda, livrar-se dos emaranhados de fios que ligam seus computadores, aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos”, exemplifica o pesquisador. “Daqui a algum tempo, essa tecnologia estará disponível em grande escala”, garante.

Sim para Harvard, não para a Nasa
Em 2017, Matheus recebeu duas grandes propostas. Uma foi da agência espacial americana, Nasa, para trabalhar com um satélite, e a outra de Harvard. “Aceitei a de Harvard pelo desafio de desenvolver uma tecnologia revolucionária e pela confiança depositada em mim pelo meu supervisor. Mesmo sem me conhecer, ele confiou que eu seria capaz de concluir o desafio proposto”, conta.

Considerada uma das mais respeitadas universidades do mundo, Harvard formou oito presidentes americanos e já recebeu 133 prêmios Nobel nas mais diferentes áreas do conhecimento humano.

Contudo, Matheus é proibido de revelar detalhes do projeto em que trabalha no momento. “Só posso dizer que se trata de uma tecnologia que envolve inteligência artificial, robótica e machine learning e contribuirá para resolver alguns dos maiores problemas mundiais envolvendo poluição”, diz.

Por semana, mais de cinco milhões de pessoas aprendem com ele no Facebook
Além das experiências nos renomados MIT e Harvard, o currículo desse jovem também se destaca pelos trabalhos sociais e incentivo ao empoderamento do jovem brasileiro. Matheus fundou o programa Inspirando Jovens de Sucesso (IJS), cujo e-book também é de sua autoria, e já foi convidado para ser um dos palestrantes da maior plataforma de compartilhamento de conhecimento do mundo, o TEDxTalk. Na internet, ele mantém site (matheustomoto.com.br), canal no YouTube (youtube.com/matheustomoto), blog (inspirandojovens.com.br) e página do IJS no Facebook.

Nas redes sociais, o IJS atinge mais de cinco milhões de jovens semanalmente. Seu objetivo, segundo Matheus, é trazer uma perspectiva de vida diferenciada, um novo mindset. “É para mostrar ao jovem que é possível ser bem-sucedido como brasileiro”, enfatiza.

Não abre mão do Brasil
Mesmo residindo e trilhando uma sólida carreira acadêmica nos EUA, Matheus não abdica do Brasil. “Eu poderia adotar um outro país para viver definitivamente, mas decidi também continuar trabalhando em meu país, porque acredito no potencial dos nossos jovens”, resume. “Quero fazer parte da formação deles – que, sem dúvida alguma, transformarão o Brasil dos próximos anos”, finaliza.