Haverá mudança no BNDES em relação aos financiamentos no setor de infraestrutura, reporta especialista em infraestrutura

Foi sugerido por instituições internacionais como o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) um novo papel de atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  Trata-se de mudar a maneira pela qual o BNDES financia projetos de infraestrutura. Em vez de financiar os projetos diretamente, a intenção do Banco é lançar um programa para promover a compra da participação em fundos de investimento de infraestrutura. Conforme reportagem publicada no jornal Estadão, no último dia 12 de maio, o BNDES terá, inicialmente, um valor de R$ 5,0 bilhões para esse programa, destaca o especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens.

Atrair outros investidores, apoiar a criação desse tipo de fundo e garantir mais recursos para a área são alguns dos objetivos dessa mudança de atuação do banco, envolvendo os projetos de infraestrutura, segundo informado pelo presidente do BNDES, Dyogo Oliveira. O executivo também afirmou que o programa contará com duas modalidades de compra das cotas. Em uma delas, “o BNDES poderá adquirir até 30% das cotas de fundos já existentes ou que estejam em processo de captação”, escreveu o Estadão. Felipe Montoro Jens reporta que, segundo Dyogo Oliveira, a instituição bancária vai definir critérios de qualificação dos gestores, bem como de aplicação dos recursos.

Já “na segunda modalidade, o BNDES fará uma seleção dos gestores para criar novos fundos de investimentos em infraestrutura, como rodovias, saneamento, energia, aeroportos. Para esses fundos, o banco poderá entrar comprando até 49% das cotas. Eles, preferencialmente, terão participação de agências multilaterais como parceiros”, completou a reportagem do Estadão. Felipe Montoro Jens salienta que, de acordo com a matéria, o banco poderá adquirir um percentual de até 10% de cotas subordinadas.

As cotas subordinadas trabalham como uma espécie de demonstração de boa qualidade do fundo — “desde que o gestor do fundo faça o mesmo”, acentuou o texto. Desta forma, caso o fundo tenha algum prejuízo, o valor é descontado primeiro dos detentores das cotas subordinadas, reporta o especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens.

“Se o banco comprar uma parte das cotas subordinadas, é um incentivo para que outros investidores comprem, porque fica menos arriscado”, explicou Dyogo Oliveira. O executivo ainda acrescentou que a vantagem desse modelo é o menor risco assumido pelo BNDES em comparação a quando a instituição financiava os projetos sozinha. “Vamos passar a fomentar o mercado para que também atue atraindo mais recursos”, completou Dyogo Oliveira.

O presidente do banco Fator, Gabriel Galípolo, por sua vez, enfatizou que, com o novo modelo, “o BNDES vai deixar de ocupar um papel de monopólio, onde ele excluía os investidores privados e concorria com outros credores privados, para fazer um papel de coordenação”.

Ainda, o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, alertou que não haverá um setor específico de infraestrutura para ser atendido. Segundo ele, “não dá para escolher. Falta tudo”. O executivo frisou que o Brasil necessita de infraestrutura em todas as áreas, visto que não se pode dizer que algum setor está bem e não precisa mais de investimentos. Por fim, Felipe Montoro Jens salienta que Oliveira também afirmou que o BNDES vai vender R$ 10 bilhões em participações em empresas.

“Temos várias participações maduras e que não precisamos mais manter […] O processo de saída dessas participações vai depender do mercado. Não podemos antecipar para não derrubar o preço”, revelou o presidente do BNDES.

Website: http://www.felipemontorojens.com.br