Gandour: a computação cognitiva não é modismo, é necessidade

A computação cognitiva foi tema da palestra realizada pelo cientista-chefe da IBM Brasil, Fábio Gandour, no Mesas TI de maio, realizado no Hotel Deville, em Porto Alegre.

De acordo com o especialista, é preciso enxergar a cognição no cotidiano das pessoas e das empresas, sem vê-la como algo distante ou, ainda pior, como um risco de que as máquinas ganhem inteligência a ponto de conquistar algum tipo de controle.

“As máquinas começaram coletando dados e transformando-os em informação. A computação cognitiva vai além disso, transforma essa informação em conhecimento e o conhecimento se transforma em saber. Mas máquinas jamais terão vontade própria. Um exemplo prático é o GPS, que é um instrumento cognitivo: você entra no carro e uma máquina e um software utilizam um universo de dados para te passar informações sobre trajeto, mas quem decide seguir ou não o caminho sugerido é você, a máquina não pode te obrigar”, destacou o cientista.

Para Gandour, é importante ressaltar, ainda, que até mesmo a mais avançada informática cognitiva não será 100% assertiva. Isto porque lida com informações desestruturadas, procurando dar-lhes estruturação, e se alicerça em dados probabilísticos, ao invés de determinísticos.

“Um sistema de cognição irá fornecer informações com base em semântica, contexto, gerando respostas a partir de probabilidades. Por isso, a forma de melhorar um sistema é usando-o: a cada vez que rodar, ele levará em conta as variáveis alteradas da última vez e se aperfeiçoará”, comentou.

O especialista destacou a aplicação destes conceitos no cenário atual da computação, permeado pelo advento das mídias sociais e aplicativos interativos. Segundo ele, este contexto leva a sociedade a vivenciar uma enxurrada de dados desestruturados, forçados pelas tecnologias a se estruturarem em informações entregues de diversas formas, por diversas plataformas, com diferentes enfoques e finalidades. Pura cognição acontecendo diariamente, conforme Gandour.

“A computação cognitiva não é modismo, é uma necessidade de sobrevivência da nossa espécie – a espécie dos homens de TI”, brincou. “Trata-se de tecnologia que transforma dados em informações que pautam os seres humanos para tomarem decisões”, complementou.

E, de acordo com Gandour, o mercado vive um estágio avançado de computação cognitiva. Na IBM, por exemplo, já há a oferta de aplicativos desta área de forma gratuita na plataforma de cloud computing Bluemix. “Basta acessar e baixar o que for mais útil para cada contexto”, finalizou o especialista.

Cientista-Chefe da IBM Brasil, empresa na qual atua há cerca de 26 anos, Gandour coordena a área de pesquisa na filial brasileira da companhia. O profissional é graduado em Medicina pela Universidade de Brasília e PhD em Ciências da Computação.