Filósofo brasileiro diz que a eleição de Trump foi um resgate da América para os americanos

Quem acompanhou a corrida presidencial americana certamente ficou com a certeza de que Donald Trump era um ponto fora da curva nesse processo e isso se deve, às sucessivas análises de especialistas e formadores de opinião. Por que erraram em suas análises?

Nos EUA, só o Los Angeles Times em parceria com a University of Southern California, vinha prevendo a vitória de Trump. O segredo segundo o jornal; foi a metodologia empregada, que ironicamente ajudou o republicano, na medida em que revelava certas tendências inteligentemente aproveitadas por sua equipe de campanha, como por exemplo, o significativo número de americanos de meia idade e sem diploma universitário, que segundo o levantamento da CNN, foi decisivo para a sua vitória.

Para o filósofo Frederico Rochaferreira, tendência é a palavra-chave por trás das falhas dos analistas.

“__ Toda investigação que fazemos para buscar evidências de uma determinada verdade que acreditamos existir, pode perder-se para sempre ante a expectativa de sua realização e assim são as análises. O homem, quaisquer que sejam suas esperanças; tendências ou inclinações, não deve tê-las consigo, quando decidir estudar, investigar ou analisar a natureza de um fato ou acontecimento. Se se negligencia essa regra, os resultados, modo geral, tende ao erro.”

O raciocínio tendencioso para o qual Frederico alerta, pode ter sua origem rastreada no discurso nacionalista de Trump. Seu modo americano de ser e transmitir sem meias palavras o que pensa, fez com que o mundo voltasse os olhos para a América, vendo-o não como um patriota, mas como um fundamentalista, palavra que assusta tanto a economia quanto a política internacional. Mas por que grande parte dos americanos não comungaram com o temor que se alardeou pelos cinco continentes?

Frederico vê um misto de nacionalismo e patriotismo no discurso de Trump e entende que foram esses valores, que mexeram com a alma e o brio dos americanos.

“__Em seu discurso, Trump lembra o amor, o respeito e o resguardo que os americanos devem ter para com os símbolos de seu país, o sentimento de orgulho por sua história e pelos diversos setores que compõe a sociedade e isso é patriotismo, por outro lado, prega a preservação da nação enquanto entidade; como defesa do território físico e cultural, lembra aos americanos a necessidade de proteção à sua identidade e isso é nacionalismo. Ora, Trump falou o que os americanos precisavam e queriam ouvir. Agora, esses são valores que estarão sempre mais próximo do cidadão, nas sociedades menos desiguais, porque essa é uma via de mão dupla, onde o cidadão tem seus direitos fundamentais respeitados pela sociedade civil e pelo Estado e é recíproco a ambos, cumprindo suas obrigações,” afirma.

Certamente um dos temas polêmicos que parte dos americanos queriam ouvir, era sobre a questão da imigração, que assusta principalmente latinos e refugiados do oriente médio. Trump nunca mediu palavras para dizer que é contra a imigração ilegal, o que polarizou as discussões dentro e fora dos EUA. Só em 2016, o Governo Obama permitiu a entrada de 29.000 mulçumanos de diferentes nacionalidades, uma mea-culpa, já que a maioria vem de países alvo da intervenção americana, como Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão, mas para Frederico Rochaferreira, o discurso de Trump é racional e emana da lei natural.

“__A causa dos imigrantes e dos refugiados é do ponto de vista humanitário, uma questão delicada. Todavia quem precisa resolver o problema desses povos; são eles próprios, que em sua quase totalidade aceitam governos corruptos, empresários corruptos e uma marginalização social vergonhosa sem esboçar qualquer reação, se tornando muitas das vezes, cúmplices, tanto da marginalidade que os rodeia quanto da tragédia que os abate. Quando a América volta-se para si, ela está dizendo; Trabalhem duro, como nós trabalhamos para construir essa nação e construam vocês, as vossas, as mais fortes e as mais justas possíveis. Desse modo é dever dos países da América Latina dar solução aos seus latinos, do mesmo modo que as demais sociedades em conflitos religiosos, territoriais, ideológicos ou outros, também buscarem soluções às suas causas. A eleição de Trump foi um resgate da América para os americanos,” finaliza.
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