Especialista conta como fazer uma transição de carreira

A expectativa de vida no Brasil é de 75 anos e dois meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, pesquisas afirmam que a geração das crianças pequenas (7 a 10 anos) viverá até os 120 anos de idade. Com a longevidade, mesmo se a reforma da previdência for aprovada, surge o questionamento do que fazer após a aposentadoria ou como agir diante desta realidade. Seguir apenas uma carreira está se tornando cada vez mais raro, visto que com o tempo e o avanço da tecnologia, os profissionais são obrigados a se adaptar ao mercado e a ciclos profissionais vez mais curtos.

Segundo Rebeca Toyama, coach com certificação internacional em Positive Psychology Coaching e fundadora da Academia de Coaching Integrativo, a primeira escolha de carreira costuma ser baseada nas influencias das pessoas que amamos como: os pais e os professores.

“A gente observa que a primeira escolha é um duelo entre o que mãe quer, e o que o pai quer. Quando um jovem chega para fazer trabalho com a gente, é perceptível que o estado de tensão dele também é o estado de tensão do cabo de guerra de pai e mãe. Já os professores que lidam com jovens trazem informações que amedrontam os novos profissionais ao expor realidades que eles querem enfrentar, áreas profissionais onde eles não querem atuar ou falando em profissões do futuro de forma vaga. Então, começamos uma carreira tentando fugir de coisas, não tentando encontrar coisas”, explica.

Rebeca afirma que, com tantas opções e influências externas, sem nenhum autoconhecimento, a tendência é construir uma carreira em cima de pressupostos: “o nosso cérebro, apesar de ser uma grande vantagem, também se torna um desafio quando não sabemos usar. Ele aprende qualquer coisa, só que, dentro dessa ‘qualquer coisa’ muito não têm nada a ver com a nossa missão. “

Por isso, fazer uma transição de carreira após a primeira formação é cada dia mais comum. Às vezes, o profissional segue por um caminho próximo, ou um ramo dentro daquela área, e às vezes, vai para uma direção completamente oposta à inicial. “Independentemente da escolha, as transições não acontecem do dia para a noite, é um processo”, conta.

Para a especialista, a conhecida “lei do esforço” nem sempre é a melhor opção, pois até pode trazer bens materiais, mas não traz satisfação pessoal. O profissional que procura “o que dá dinheiro” ao invés do que dá sentido à sua vida pode tentar se encaixar em um segmento que não é adequado ao seu perfil. Assim, fica infeliz e culpa a área de atuação, culpa a crise financeira e não se encontra no ambiente de trabalho.

“Vamos construindo a carreira muito mais no esforço do que no resultado. Existe o mito de que não podemos ganhar dinheiro com o que a gente gosta, com nossos dons, nossos talentos. A sociedade cria um monte de modelos que, na hora de escolher uma profissão, a pessoa escolhe algo que tenha que trabalhar duro, sangue, suor, lágrimas, pois aí sim vai ganhar dinheiro. Até pode ganhar, mas a probabilidade de gastar tudo isso em tratamento de saúde mais para frente também é grande. “

Ao escolher mudar de carreira, existem diversas formas de fazer isso. O medo, a incerteza e a comodidade provavelmente farão um contraponto aos sonhos, cansaço e infelicidade. Então, para poder tomar a melhor decisão, faça a mesma pergunta com visões diferentes:

“A razão é uma parte nossa que buscar o caminho certo e teme muito a crítica. O lado emocional quer seguir o que dá prazer, o que faz feliz. Já a sensação vai pensar no palpável, quanto dinheiro vai ganhar, como fazer uma transição com menos risco, como será viável a transição. Por fim, a intuição vai questionar se o dia a dia o fará feliz, como, a longo prazo, essa transição irá te satisfazer e se você alcançará seu propósito. Nossos erros estão relacionados a tomadas de decisão que ouvem só uma dessas dimensões, uma e meia, duas. Portanto, um pedaço enorme dessa tomada de decisão, está cega. “

Rebeca também ressalta que, após a escolha, também é importante questionar quem vai valorizar o seu trabalho. Se alguém fosse te contratar, te convidar para fazer alguma coisa, quem seria? Para quem você teria valor? Se você fosse um tempero, que prato você temperaria?

“Naquela frase popular ‘jogar pérolas aos porcos’, as vezes você é uma pérola que está se lançando em um lugar que não é reconhecida. Um famoso violinista que cobra centenas para a entrada de um concerto recebe centavos se tocar no metrô. Então se pergunte, para quem eu sou importante? “

Ou seja…
1) Tente não agradar nem culpar ninguém, o responsável pela realização do seu futuro é apenas você.
2) O trabalho não precisa ser desagradável. Se dedicar é importante, mas cuidado para não tentar permanecer em uma área que não te agrada.
3) Pense nos quatro lados da mente: razão, emoção, sensação e intuição.
4) Procure onde você e seu trabalho serão valorizados.