Despesas financeiras das empresas crescem abruptamente e entram em efeito “bola de neve”

Baixaram um pouco as taxas de juros, um ótimo sinal. Mas será que o COPOM continuará esse movimento? Esperamos que sim.

A economia brasileira vive sua pior crise em décadas (se não a pior em absoluto). Demanda baixa leva a reestruturações. Reestruturações geralmente aumentam o endividamento.

O problema é que no Brasil isso foi combinado com elevação da inflação, o que obrigou o Banco Central a elevar juros. Famosa estagflação. É uma pancada direto no pulmão do setor produtivo. Consequência? Um ciclo vicioso com desemprego e menos demanda ainda.

Esse movimento fica muito claro quando pegamos o banco de dados Klooks, que conta com informações financeiras de mais de 15 mil empresas, e analisamos este quesito.

Entre 2013 e 2015 a despesa financeira média das empresas escalou 352%. Ainda estamos com pouca amostragem de 2016, mas se considerarmos 2013-2016 esse número praticamente dobra: são inimagináveis 618%.

A cobertura de juros (índice que indica se as empresas estão conseguindo pagar os juros de seus empréstimos) caiu de 9,43 para 1,54 em média. Ou seja, em 2015 as empresas quase não conseguiram pagar os juros (e muitas efetivamente não conseguiram). Conseguir amortizar as dívidas para aumentar investimentos com indicadores nesses níveis se torna um trabalho extremamente árduo.

Em 2016 a nossa amostragem já está indicando um cenário ainda pior: índice de cobertura de juros médio de 1. Ou seja, em 2016 em média as empresas não estão tendo resultado nem para pagar seus juros. Neste cenário, conseguir amortizar dívidas se torna um luxo quase inimaginável.

É uma bola de neve. A demanda diminui e os juros aumentam fazendo a empresa não ter dinheiro para pagar a sua dívida, e a mesma acaba pedindo para postergar, parcelar, enfim, contornar o problema no curto prazo. Usualmente o banco até refinancia a dívida, mas o indicativo de insolvência acaba por aumentar o custo da dívida, sem que a empresa tenha outra alternativa senão aceitar. Como o banco aumentou a taxa de juros e a demanda reduziu mais ainda, a empresa novamente não consegue honrar a dívida. E é daí para baixo.

A pesquisa foi realizada com os demonstrativos financeiros das 7.000 principais empresas brasileiras presentes no banco de dados da Klooks.
Website: http://www.klooks.com.br